Polícia investiga esquema de venda ilegal de camarotes no Morumbi
A Polícia Civil de São Paulo intimou Rita de Cássia Adriana Prado a depor no inquérito que apura a exploração clandestina de camarotes no Estádio do Morumbi. A oitiva está agendada para esta terça-feira, às 10h.
Rita de Cássia é alegadamente uma intermediária em um esquema irregular que envolve Douglas Schwartzmann, ex-diretor adjunto da base do São Paulo, e Mara Casares, ex-diretora feminina, cultural e de eventos e ex-esposa do ex-presidente Julio Casares.
O caso está sob a supervisão do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), em cooperação com a terceira delegacia responsável por investigações sobre lavagem de dinheiro. O delegado Tiago Fernando Correia está à frente do inquérito que investiga potenciais irregularidades cometidas por diretores do clube entre 2021 e janeiro de 2026. A investigação inclui outros dois inquéritos, com foco em lavagem de dinheiro e corrupção
.Em novembro de 2025, um áudio divulgado pelo portal ge revelou a participação de Douglas Schwartzmann e Mara Casares em um suposto esquema que teria prejudicado o São Paulo. Este será o primeiro depoimento relacionado ao caso. Até o momento, Douglas Schwartzmann e Mara Casares não foram intimados para prestar esclarecimentos.
O áudio menciona o uso de um camarote localizado no setor leste do estádio, internamente conhecido como “sala presidencial”. O documento indica que o direito de uso foi transferido por diretores a Rita de Cássia, que foi apontada como a responsável pela comercialização, com ingressos sendo vendidos a preços elevados, como R$ 2,1 mil durante a apresentação da cantora colombiana Shakira, realizada em fevereiro de 2025. O camarote 3A rendeu cerca de R$ 132 mil apenas nesse evento.
Contudo, a situação se complicou para Rita nos meses seguintes. Em 10 de junho, sua empresa, The Guardians Entretenimento Ltda., moveu uma ação judicial contra Carolina Lima Cassemiro, da Cassemiro Eventos Ltda., na 3ª Vara Cível de São Paulo. Rita alega que Carolina retirou, sem autorização, um envelope com 60 ingressos referentes ao camarote 3A, no dia da apresentação de Shakira. Carolina, por sua vez, alega ser uma vítima no caso e relata ter sofrido calúnias e perdas financeiras.
Com a disputa judicial em andamento, Douglas e Mara teriam pressionado Rita a retirar a ação antes que o caso se tornasse público. Durante uma conversa entre os três, ficou claro o descontentamento com a situação, com Douglas enfatizando a confiança que tinha em Rita e o desejo de manter a integridade do negócio.
A repercussão da denúncia resultou no impeachment de Julio Casares pelo Conselho Deliberativo do clube. Casares renunciou ao cargo antes da votação final na Assembleia Geral dos sócios. Além de Douglas Schwartzmann e Mara Casares, ambos também enfrentam investigações pela Comissão de Ética do clube.

