Acordo UE-Mercosul promete impulsionar exportações de calçados brasileiros
A recente assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul indica uma expectativa otimista para a indústria calçadista brasileira, com uma previsão de aumento de 60% nas exportações ao longo dos próximos 15 anos. Este crescimento deve ocorrer em virtude da isenção tarifária incluída no termo de cooperação, que ainda precisa de aprovação de cada país do Mercosul.
Em 2025, o Brasil já faturou US$ 105,2 milhões com a exportação de 17,5 milhões de pares de calçados para a União Europeia. Um dos principais aspectos do acordo é a redução gradual das tarifas de importação. Para calçados de couro, que atualmente enfrentam uma taxa de 7%, a expectativa é que, em um prazo de sete anos, esses produtos possam entrar sem tarifas no território europeu.
Impactos do Acordo na Competitividade
De acordo com Priscila Linck, economista e coordenadora de Inteligência de Mercado da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), o acordo deve ter um impacto significativo no aumento da competitividade dos produtos brasileiros no mercado europeu. "A isenção gradativa de impostos de importação permitirá que calçados brasileiros, especialmente os de couro, se tornem mais atrativos para compradores europeus", afirma Priscila.
regiões conhecidas pela produção calçadista no Brasil, como Franca (SP) e o Vale dos Sinos (RS), devem se beneficiar da diversificação das exportações. A isenção tarifária não se restringe apenas ao couro, mas também se estende a produtos feitos de outros materiais, abrindo novas oportunidades para os calçadistas brasileiros, o que poderá elevar a diversidade de produtos no mercado internacional.
União Europeia: Um Mercado Estratégico
A União Europeia se estabelece como um destino vital para o calçado brasileiro, representando 10% de todas as exportações do país. Além de países como Portugal, Itália e Alemanha, a Espanha se destaca como um mercado em ascensão para os calçados brasileiros, mesmo após a perda de alguns volumes em anos anteriores. "Estamos alocando maiores volumes para outros destinos ou até mesmo reconfigurando nossa abordagem na Europa", relata Priscila.
Da totalidade das exportações brasileiras de calçados, 44% são de couro, enquanto 47% são de material sintético e 8% têxtil. O potencial de compra da Europa é inegável, tornando o mercado europeu uma alternativa sólida para o Brasil em comparação com os Estados Unidos, onde ainda existem barreiras significativas.
Ganhos e Desafios com o Acordo
O acordo também promete benefícios diversos para a cadeia produtiva do setor. A economista da Abicalçados destaca que a maior demanda e a ampliação de contratações nas fábricas são resultado esperado da efetivação deste acordo, além da desburocratização nas operações comerciais. Porém, há preocupações em relação à origem dos produtos que possam circular no Brasil; existe o receio de que produtos asiáticos entrem no país através de uma triangulação, utilizando o acordo como uma brecha.
"Um produto asiático pode entrar no Brasil supostamente como europeu, e isso precisa ser tratado com regras rigorosas de origem para mitigar esse risco", comenta Priscila Linck. O acordo de cooperação inclui termos para certificar a origem dos produtos comercializados, visando proteger a produção local.
Expectativas Futuras
Diante do panorama positivo, espera-se que o acordo entre a União Europeia e o Mercosul traga benefícios concretos para a indústria calçadista brasileira, permitindo que setores como o de couro e sintético cresçam em novos mercados, aumentando a competitividade e a diversificação no cenário internacional. O futuro da indústria calçadista poderá muito bem depender da implementação bem-sucedida deste acordo e da capacidade do Brasil em se adaptar a um mercado em constante evolução.

