Investigação reaberta pelo Ministério Público
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) reabriu a investigação contra Carlos Bolsonaro, ex-vereador, com o objetivo de esclarecer suspeitas relativas à prática de rachadinha em seu gabinete. A apuração visa entender a origem dos recursos que ele utilizou para custear diversas despesas pessoais, incluindo um plano de saúde e a compra de um apartamento em Copacabana.
Motivos para a reabertura da investigação
A reabertura da investigação foi motivada por novos elementos que não foram considerados na primeira fase, quando o caso foi arquivado no ano passado. A decisão dos promotores reflete a necessidade de esclarecer o financiamento de suas despesas pessoais, o que inclui não apenas o plano de saúde e o imóvel, mas também acessos frequentes a um cofre bancário.
Contratos e despesas pessoais
No parecer que fundamentou a retomada das diligências, a assessoria criminal da Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ) destacou que, em nove anos de contratos, apenas um boleto do plano de saúde foi quitado por meio da conta bancária de Carlos. A PGJ sugeriu que as operadoras de saúde sejam oficiadas para informar os valores, a forma de pagamento e a identidade dos responsáveis pelas quitações.
Compra de apartamento e acessos a cofre
A PGJ também levantou questões sobre a aquisição do apartamento em Copacabana, comprado por Carlos em 2009 por um valor considerado muito inferior ao de mercado na época. Além disso, os investigadores observaram a frequência de acessos ao cofre em uma agência bancária, o que intrigou a promotoria, visto que esses cofre são normalmente utilizados para guardar itens de valor, como joias e grandes quantias em dinheiro.
Perspectivas futuras da investigação
Conforme reportado pela GloboNews, a nova avaliação da PGJ indicou que não havia justificativa suficiente para o arquivamento anterior da investigação. Em 2024, o MP havia denunciado outros sete funcionários de Carlos por desvio de dinheiro público relacionado à prática de rachadinha, onde salários de assessores parlamentares eram fracionados. Na época, o MP considerou que não havia indícios suficientes para responsabilizar Carlos diretamente por esses atos.
Desvios e funcionários fantasmas
O MP apontou que o valor total dos desvios no gabinete de Carlos alcançava R$ 1,7 milhão. O então chefe de gabinete, Jorge Luiz Fernandes, teria sido o responsável por indicar os funcionários que repassavam parte de seus salários. Entre os investigados, destaca-se Ana Cristina Siqueira Valle, ex-madrasta de Carlos, que atuou como chefe de gabinete até 2008.