Governo de Madrid aprova construção controvertida em área protegida
No distrito de Chamartín, em Madrid, os jardins do antigo convento das Damas Apostólicas estão prestes a ser transformados em uma residência estudantil, o que gerou intensa controvérsia. O governo, sob a liderança de José Luis Martínez-Almeida, aprovou uma modificação do Plano Geral de Ordenação Urbana que autorizou a construção de 11 novos edifícios na área, desconsiderando sentenças judiciais anteriores que protegiam o local.
Esse local, que já foi declarado Bem de Interesse Patrimonial (BIP), foi considerado de proteção integral pela Justiça, que enfatizou a importância de preservar a totalidade do conjunto, incluindo o convento e os jardins adjacentes. No entanto, a decisão recente do Consistório de Madrid contraria essas recomendações, permitindo a construção de uma nova edificação com 850 dormitórios.
A polêmica começou em 2017, quando a Global Alchiba SL, empresa proprietária, iniciou demolições no convento sem a devida autorização, gerando uma investigação por parte da Justiça. Após um embate legal, a proteção do conjunto foi ratificada pelo Tribunal Superior de Justiça de Madrid, que reafirmou a necessidade de proteger tanto as construções quanto os espaços ao redor.
Segundo críticos, o novo projeto da Global Alchiba não apenas comprometerá a integridade do patrimônio histórico, mas também exigirá a remoção de mais de 200 árvores que compõem o espaço verde atual. Essa transformação proposta, que inclui a construção de dormitórios ao redor de corredores verdes, foi alvo de críticas de ambientalistas e defensores do patrimônio que denunciam o impacto negativo sobre a flora e a fauna local.
Luis Suárez, arquiteto e colaborador de Ecologistas em Ação, expressou suas preocupações, afirmando que “esta operação especulativa danifica o valor arquitetônico e ambiental do local, enquanto o município falha em proteger o patrimônio frente a interesses privados.” Ele criticou a decisão de reduzir a proteção dos jardins como uma interpretação inaceitável do que constitui um espaço protegido.
Alberto Tellería, arquiteto e integrante da associação Madrid, Cidade e Patrimônio, também se manifestou contra o projeto, ressaltando que construir em terrenos que abriga as históricas huertas do convento é um desrespeito ao seu legado cultural. A importância desses espaços históricos é fundamental para a compreensão do funcionamento dos antigos conventos.
Em defesa do projeto, um porta-voz municipal argumentou que a modificação é compatível com pronúncios judiciais. Eles afirmam que as novas construções respeitarão as exigências arquitetônicas e botânicas necessárias para preservar a história do conjunto.
No entanto, a oposição, incluindo grupos municipais como o socialista e o Más Madrid, está lutando para reverter a decisão do governo. Antonio Giraldo, do grupo socialista, criticou a proposta, alegando que ela ignora a legislação já estabelecida e que o novo relatório do Consistório contradiz informações anteriores sobre a viabilidade do projeto.
José Luis Nieto, do Más Madrid, também contestou a proposta, acusando o governo de distorcer a realidade para justificar o injustificável e exigindo uma solução que transforme a área em um espaço verde ao invés de um novo complexo habitacional.
À medida que a controvérsia se intensifica e a oposição continua a pressionar por mudanças, a proteção do patrimônio de Madrid e a transformação do seu espaço urbano permanecem em debate. A situação levanta questões críticas sobre a preservação de áreas históricas e a necessidade de equilibrar o desenvolvimento urbano com a conservação ambiental e cultural.

