Mudança no Gabinete: Balcázar nomeia nova Primeira-Ministra no Peru
O presidente interino do Peru, José María Balcázar, fez uma virada significativa em sua administração ao nomear Denisse Miralles como a nova Primeira-Ministra do país. A decisão ocorre após a renúncia inesperada do economista Hernando de Soto, que havia sido anunciado como o escolhido para o cargo apenas dias antes.
Denisse Miralles, ex-ministra da Economia no governo de seu antecessor José Jerí, foi escolhida durante um momento delicado na política peruana. Balcázar, que recentemente assumiu a presidência como o oitavo líder do Peru em apenas uma década, optou por uma equipe em sua maioria composta por tecnocratas da administração passada, buscando trazer estabilidade em um governo marcado por constantes mudanças.
Na semana anterior, Balcázar havia feito alarde ao anunciar De Soto como seu primeiro-ministro, uma escolha que mirava apaziguar críticas e posicionamentos adversos à sua figura política, dada a relação do novo presidente interino com o partido de esquerda Peru Livre. De Soto, conhecido por suas convicções neoliberais e por sua experiência no serviço público, já planejava assumir o cargo, com agenda de compromissos que incluíam visitas a regiões afetadas por desastres naturais e encontros com lideranças indígenas nos Estados Unidos e Canadá.
Entretanto, no dia da cerimônia de posse, De Soto surpreendeu ao declinar a função, deixando Balcázar em uma situação delicada. O imprevisto revela a pressão por trás da formação do governo e as batalhas internas para a definição de cargos ministeriais que refletem as tensões políticas da atualidade.
Com a ascensão de Miralles, a nova Primeira-Ministra traz consigo um histórico misto de experiências. Embora ela tenha sido uma figura proeminente na gestão de Jerí, a sua gestão na Agência de Promoção de Investimentos Privados é criticada por decisões que envolveram a alocação de recursos a empresas que supostamente não atendiam aos critérios necessários, gerando descontentamento em setores da sociedade. Os ministros que se juntam ao novo gabinete incluem nomes que já ocuparam cargos no governo anterior, uma tentativa de Balcázar de garantir certa continuidade em uma administração que já enfrenta instabilidades, com a expectativa de que esta abordagem possa minimizar a rotação excessiva de ministros que marcou a administração de seus antecessores.
Historicamente, o Peru viveu um período de alta rotatividade ministerial, com 181 ministros nos últimos mandatos presidenciais, sendo que, em médias históricas, Pedro Castillo nomeou 79 ministros em 16 meses e Dina Boluarte fez o mesmo com 71 ministros em 34 meses. Balcázar, portanto, se vê diante do desafio de estabilizar uma administração em crise.
No entanto, o novo presidente interino não está isento de controvérsias. Ele enfrenta investigações e processos criminais que envolvem alegações de corrupção e má conduta profissional, complicando ainda mais sua posição e a eficácia do novo gabinete liderado por Miralles. A missão agora é conduzir uma administração menos tumultuada, buscando transformar a atmosfera política conturbada do país em uma unidade mais coesa e governável.
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