Descoberta surpreendente sobre o consumo de álcool em chimpanzés
Um estudo recente publicado na revista Biology Letters trouxe à tona resultados intrigantes sobre o consumo de álcool por chimpanzés. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, Berkeley, descobriram que a urina dos chimpanzés contém altos níveis de etanol, provavelmente devido ao consumo regular de frutas fermentadas. Essa descoberta coloca em evidência uma teoria evolutiva que sugere que a atração humana por bebidas alcoólicas pode ter raízes que datam de cerca de 18 milhões de anos, no período de origem dos grandes primatas.
A teoria do "Macaco Bêbado"
A hipótese, chamada de "drunken monkey hypothesis", foi proposta pelo biólogo Robert Dudley em 2014, em seu livro The Drunken Monkey: Why We Drink and Abuse Alcohol. Ele argumenta que a capacidade humana de perceber e consumir álcool está ligada a uma evolução social relacionada ao compartilhamento de alimentos, especialmente frutas.
A comprovação através de testemunhos
Embora a ideia tenha sido criticada no passado, a evidência acumulada ao longo dos anos começou a mudar essa perspectiva. Filmagens recentes demonstraram chimpanzés compartilhando frutas de pão africano fermentadas, com conteúdo alcoólico mensurável. Foram verificadas altas concentrações de etanol, mostrando que a maioria das frutas (90%) continha alguma quantidade de álcool, com as mais maduras apresentando os níveis mais altos (o equivalente a 0,61% de ABV).
Coleta de urina e suas implicações
O próximo passo na pesquisa foi verificar a urina dos chimpanzés em busca de metabólitos alcoólicos, assim como foi feito em um estudo anterior com macacos-aranha. Aleksey Maro, um estudante de graduação da UCB, passou o verão na floresta de Ngogo, em Uganda, coletando amostras de urina. Utilizando tiras de teste imunológicas, os pesquisadores identificaram que 16 das 20 amostras de urina apresentavam níveis significativos de etil glucuronídeo, um subproduto do álcool, o que sugere que os chimpanzés estão consumindo quantidades relevantes de frutas alcoólicas diariamente.
Resultados e futuras investigações
As análises apontam que os chimpanzés consomem cerca de 14 gramas de álcool por dia, o equivalente a uma bebida padrão nos Estados Unidos. Embora a maioria dos chimpanzés testados tenha mostrado consumo de álcool, os abstemios eram, em sua maioria, fêmeas em período fértil e juvenis, o que pode abrir novas linhas de investigação sobre como o etanol dietético afeta a fisiologia e comportamento desses primatas ao longo do tempo.
Perguntas abertas
Apesar das descobertas, ainda existem lacunas que precisam ser preenchidas. Dudley ressalta que a próxima etapa é demonstrar se os chimpanzés estão selecionando ativamente frutas com maior conteúdo etílico. Essa confirmação seria fundamental para validar a hipótese de atração universal ao álcool e sua relação com a evolução.
Estudos como esse não apenas aprofundam nosso entendimento sobre o comportamento animal, mas também podem iluminar aspectos da evolução humana e nossa relação com substâncias como o álcool, desafiando percepções tradicionais sobre hábitos alimentares e sociais em primatas.