Trump lança discurso exagerado e polarizador no Capitolio
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um discurso recorde de 108 minutos no Capitolio, marcado por exageros, meias verdades e ataques a adversários, em um momento delicado a poucos meses das eleições de meio mandato. Durante o que se tornou o discurso mais longo sobre o Estado da União na história americana, Trump tentou projetar uma imagem otimista do país, afirmando que os Estados Unidos estão em uma “época dourada”.
Desde o início, Trump se dedicou a alardear os chamados sucessos de sua administração, especialmente no campo da economia. Ele descreveu um país “harde de encadear vitória após vitória”, embora os dados econômicos e índices de aprovação do presidente estejam estagnados em níveis baixos. Para ele, “nossa nação tem retornado, mais forte e rica do que nunca”, enfatizando a importância da independência americana ao referir-se ao 250º aniversário da nação.
No entanto, a verdade da situação tornou-se um ponto de contenda. Os dados econômicos contradizem a narrativa triunfante de Trump, que criticou severamente seus opositores, especialmente o ex-presidente Joe Biden, a quem culpou por diversos problemas, incluindo a inflação e a segurança nas fronteiras. Em um momento que transmitiu uma profunda divisão política, alguns deputados republicanos apoiaram enfaticamente as falas do presidente, enquanto os democratas, ao lado, adotaram uma postura de silêncio.
A cerimônia também exibiu a tensão existente no congresso, com deputados de ambos os lados expressando mensagens conflitantes. Um republicano foi visto com um boné que dizia "Trump tem razão em tudo", enquanto um democrata segurou uma faixa denunciando comentários racistas de Trump publicados recentemente em redes sociais.
Durante o discurso, Trump não hesitou em atacar temas sensíveis, como a imigração e a segurança pública. Ele pediu que o governo protegesse os cidadãos americanos em primeiro lugar, uma declaração que gerou aplausos entre os republicanos, mas que também foi confrontada com gritos de provocações da oposição. O presidente ainda defendeu a necessidade de identificação de cidadania para votação, reforçando alegações infundadas sobre fraudes eleitorais.
Em uma parte mais emotiva do discurso, Trump convidou um grupo de atletas a que participaram dos Jogos Olímpicos de Inverno, celebrando suas conquistas apenas como uma maneira de se apropriar do sucesso do grupo. Reconhecimento a vetaranos de guerra e referências a crises internacionais, como o conflito na Ucrânia e a relação com Irã e Venezuela, também foram parte do discurso, onde ele se apresentou como um defensor firme da segurança nacional.
O discurso, que parecia uma mistura de campanha e política clássica, terminou de forma mais conciliadora, com um apelo à unidade e à continuidade dos valores da independência, mas a polarização que permeou toda a sua intervenção foi inegável. Ao final,Trump deixou o Capitolio com uma mensagem de que a "luta pela liberdade ainda não havia terminado", refletindo a racha visceral que domina a política americana atualmente.