Contratação até 2040 evidencia o dilema da incineração em Madrid
A incineradora de resíduos de Valdemingómez, localizada no sudeste de Madrid, é um assunto persistente nas reivindicações da população local. A promessa de fechamento da instalação, feita pela prefeitura madrilenha, vem sendo frequentemente modificada e agora suscita mais preocupações entre os moradores da área. Em janeiro de 2022, o delegado de Urbanismo e Meio Ambiente, Borja Carabante, afirmara que a planta de Las Lomas fecharia em 10 anos, ou antes, se a proporção de resíduos enviados para aterros fosse reduzida para 10%. No entanto, em dezembro de 2022, ele modificou seu tom, afirmando que a planta continuaria funcionando até que "não fosse mais necessária". Mais recentemente, foi anunciado um contrato de licitação de 817 milhões de euros para a exploração das instalações até 2040, revelando um retrocesso nas promessas iniciais.
O novo contrato, conforme informações divulgadas, não é prorrogável e exige que a empresa vencedora invista 100 milhões de euros para renovar a maquinaria da planta, inaugurada em 1993, que recebe diariamente entre 1.000 e 1.200 toneladas de resíduos da capital. Enrique Villalobos, responsável pela Federação de Associações de Moradores (FRAVM) e residente da área próxima à incineradora, critica a falta de transparência, apontando que o novo contrato foi anunciado apenas 40 dias após a conclusão do contrato anterior, que também era considerado improrrogável. Ele destaca que "montam uma planta há 30 anos e agora gastam dinheiro novamente, e ela deve durar apenas 15 anos?" A crítica central é sobre um modelo insustentável de gestão de resíduos.
No evento de anúncio do contrato, Carabante destacou que cerca de 277.000 toneladas são incineradas anualmente na planta de Las Lomas. No entanto, a proporção de resíduos destinados a aterros continua em 32%, distante do objetivo de 10% até 2035, o que segundo ele, seria a condição para o fechamento da incineradora. A revitalização da planta visa prolongar sua "vida útil" por um período mínimo de 15 anos, o que gera descontentamento entre os vítimas locais.
Considerando o impacto econômico, há um disposto no contrato que estabelece que 5% da receita obtida com a venda de energia elétrica gerada pela incineração dos resíduos será destinado ao município, com o intuito de financiar iniciativas no distrito de Villa de Vallecas. Contudo, Villalobos classifica essa compensação de "piada", uma vez que os moradores se sentem prejudicados pela operação da planta e têm pouco retorno real. A compensação poderia variar entre 500.000 e 1 milhão de euros anualmente, o que representa menos de 10 euros por residente por ano, de acordo com os cálculos feitos.