A pressão do Pentágono sobre a Anthropic
A Anthropic, uma empresa de inteligência artificial, está firmando sua posição diante da pressão do Pentágono, que solicitou a remoção de salvaguardas em seu modelo de IA, Claude. As autoridades querem que a empresa elimine restrições contra vigilância em massa e o uso de armas autônomas. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, declarou: "não podemos em boa consciência atender à sua solicitação".
Ameaças e negociações complicadas
Recentemente, o Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, estabeleceu um prazo rigoroso para que a Anthropic concordasse em remover todas as proteções, ameaçando tirar Claude dos sistemas militares americanos. Essa ação levanta questões sobre a segurança nacional e a ética no uso de tecnologia militar. Hegseth não hesitou em rotular a empresa como um potencial "risco de cadeia de suprimentos", um termo que normalmente é reservado para adversários do país, algo inédito para uma companhia americana.
Contradições nas mensagens do governo
Amodei, em uma carta publicada online, apontou contradições nas ameaças de Hegseth, afirmando:
"Estas duas últimas ameaças são intrinsecamente contraditórias: uma nos rotula como risco de segurança; a outra rotula Claude como essencial para a segurança nacional".Esse contexto tumultuado gerou preocupações sobre a clareza e a coerência nas diretrizes do governo americano.
Os desafios da relação com o Departamento de Defesa
A Anthropic, que detém um contrato de 200 milhões de dólares com o Departamento de Defesa, revelou que a recente proposta apresentada pelo Pentágono apresentava brechas que poderiam permitir a desconsideração das proteções existentes. A empresa afirmou que o novo texto, que se dizia uma tentativa de compromisso, estava repleto de jargões jurídicos que poderiam ser manipulados.
A situação é particularmente preocupante, pois a Anthropic tem uma parceria ativa com as comunidades militar e de inteligência, demonstrando a disposição de colaborar para a segurança nacional. No entanto, a solicitação do Pentágono para remover todas as salvaguardas é considerada um passo excessivo. Amodei declarou:
"A Anthropic entende que o Departamento de Guerra, e não empresas privadas, toma decisões militares. Jamais levantamos objeções a operações militares específicas".
Vigilância em massa e armas autônomas
Amodei enfatizou a necessidade de proteger interesses americanos em duas áreas específicas: vigilância em massa e o uso de armas autônomas. Ele destacou que a palavra "doméstico" foi ressaltada em suas observações sobre vigilância, alertando sobre práticas que têm sido implementadas sem a devida supervisão. Ele ainda mencionou que o governo pode adquirir registros detalhados sobre os movimentos e navegação online dos cidadãos sem obtenção de mandados, um ato que infringe os direitos dos americanos.
Enquanto o Pentágono minimiza a possibilidade de um plano de vigilância em massa, a realidade atual demonstra que sistemas de IA já são usados em conflitos atuais, como na Ucrânia. Amodei ressaltou que sistemas de IA avançados não são confiáveis o suficiente para apoiar armas totalmente autônomas e ofereceu colaborar para melhorias nesse sentido. Contudo, não houve aceitação dessa proposta.
Expectativa e incertezas
O encontro entre Amodei e Hegseth foi descrito como cordial, mas o futuro da situação permanece incerto. A habilidade de Hegseth de equilibrar suas críticas e demandas está em questão, uma vez que a postura do governo pode mudar rapidamente. Para a Anthropic, a pressão do governo dos Estados Unidos representa um desafio tanto ético quanto estratégico, enquanto a nação aguarda o desfecho da contenda.