Solidariedade e Luta pela Esperança em Juiz de Fora
Após os calçados deslizamentos que devastaram partes de Juiz de Fora, mais de 4.200 pessoas encontram-se desabrigadas. Essa tragédia na Zona da Mata mineira resultou em inúmeros lares perdidos e uma comunidade unida na busca por apoio e reconstrução de suas vidas.
As famílias estão sendo acolhidas em 18 escolas municipais que se transformaram em abrigos temporários. Diariamente, elas recebem alimentação, apoio psicológico e social, além de ter acesso a atividades de lazer. Contudo, a angústia de não saber quando retornarão às suas casas é palpável entre os acolhidos.
Juliana Cristine, de 42 anos, expressa a sua dor e incerteza: “Está complicado dormir. A assistência aqui é ótima, mas não temos noção do que vai acontecer.” Ela deixou seu lar na comunidade Esplanada, e a frustração é clara em suas palavras. Com três filhas e três netas, a falta de um lar seguro pesa muito.
No abrigo da Escola Municipal Paulo Rogério, que já estava no limite de sua capacidade, voluntários têm trabalhado incansavelmente. Além de alimentos e remédios, serviços essenciais como obtenção de segunda via de documentos e atualização de cadastros para benefícios sociais estão sendo oferecidos. Esses esforços buscam garantir que as famílias não sejam ainda mais afetadas por burocracias em um momento tão difícil.
Jerônimo Batista Santos, de 30 anos, é apenas uma das muitas vozes que representam aqueles que estão enfrentando esta crise. Ele e sua família encontraram abrigo nas dependências da escola após a interdição de sua casa, e compartilha: “Não é como a casa da gente, mas fomos muito bem recebidos.” Contudo, a saudade do lar é intensa, e a preocupação com o futuro é constante.
A história de Milena da Silva Ferreira, de 28 anos, também ilustra o drama vivido. Com a certeza da interdição definitiva da sua casa, ela busca um novo lar, mas a dificuldade de achar um lugar seguro persiste. “O que importa é a vida da gente, ainda mais com crianças”, afirma, enquanto tenta reconstruir sua vida.
A Escola Paulo Rogério não só abriga rostos conhecidos da comunidade, mas também novas histórias e memórias compartilhadas entre aqueles que se uniram pelo mesmo destino. Um dos exemplos é Luciana Mariana de Paula, de 36 anos, que viu sua casa ser danificada após a queda de um muro. Agora, ela e sua família buscam um novo lar, desta vez, mais atenta às áreas de risco.
Na comunidade, o papel dos voluntários tem sido fundamental. A psicóloga Bel Garcia, por exemplo, lançou uma campanha de arrecadação para apoiar os desabrigados, trazendo dias de cuidado como “do cabelo e da unha” para aquelas que precisam de um pouco de carinho e humanidade neste cenário difícil. “Meu objetivo é trazer um pouco de humanidade e carinho”, explicou Bel, ressaltando a importância desse apoio emocional.
A diretora da Escola Paulo Rogério, Tatiane do Carmo Fernandes, destaca o acolhimento cuidadoso que têm oferecido. “Não é só um lugar em que estamos colocando as pessoas. A gente está dando o mínimo de dedicação, carinho, atenção e infraestrutura.” Os esforços dos voluntários, assim como o apoio da comunidade, representam um raio de esperança em meio ao caos.
As buscas de sobreviventes pelo Corpo de Bombeiros continuam em Juiz de Fora e na vizinha Ubá, enquanto o balanço mais recente divulgado pela Defesa Civil já contabiliza 69 mortos e quatro desaparecidos. A comunidade, no entanto, demonstra resiliência, e seus membros buscam se reerguer após a tragédia, mostrando que a solidariedade pode ser uma luz no fim do túnel em tempos de desespero.

