A profunda relação entre Mencho e seu filho Menchito
O líder do Cartel de Jalisco Nova Geração (CJNG), Nemesio Oseguera, conhecido como Mencho, sempre teve uma relação complexa com seu filho, Rubén Oseguera, o Menchito. Segundo depoimentos recentes em tribunais nos Estados Unidos, Mencho não aprovava o uso de drogas por seu filho favorito. Inicialmente, Mencho se mostrava cético quanto ao surgimento do cartel no mercado do fentanilo.
As declarações de ex-colaboradores do cartel, as quais foram divulgadas em jornais de toda a América Latina, revelam uma dinâmica intrigante entre pai e filho, especialmente em um episódio emblemático que os uniu de forma irrefutável. Durante uma tentativa de captura do patriarca em Jalisco, um helicóptero militar foi derrubado por um ataque do CJNG. Menchito, presente na cena, descreveu com orgulho como ele participou da ação, entregando uma bazuca a um sicário conhecido como "80". Essa memória se tornou central em sua identidade como membro da organização criminosa.
Um dos depoimentos mais impactantes foi de Mario Ramírez Treviño, conhecido como El Pelón, que encontrou Menchito na prisão de Altipano. Ele recordou que na primeira vez que conheceu Menchito, ele era "calmo e sério". Porém, após o episódio do helicóptero, o comportamento de Menchito mudou radicalmente, tornando-se muito mais agressivo.
El Pelón destacou a relação intensa entre Mencho e Menchito, descrevendo que o líder do cartel dizia que seu filho era tão importante quanto ele dentro da organização. Esse vínculo se estendeu a decisões cruciais, como a introdução do CJNG no mercado do fentanilo, que Menchito propôs em 2013.
As influências mútuas
Menchito se tornou uma extensão da influência de Mencho, sendo seu principal intermediário e, em muitos aspectos, o seu sucessor esperado. Observações de outros membros do cartel, como Herminio Ancira, conhecido como El Indio, revelam que Mencho era altamente protetor em relação ao filho, estabelecendo regras rigorosas sobre quem poderia se comunicar com Menchito.
O controle de Mencho sobre Menchito era visível até mesmo nas interações mais cotidianas, como quando impediu que seu filho participasse de um carregamento de drogas. Em outro relato, El Indio confirma que Menchito era visto como um 'herdeiro' com um papel crucial no cartel. O impacto da violência do cartel moldou a personalidade de Menchito, que foi descrito como sádico por suas ações brutais.
Um exemplo horripilante disso foi quando, de acordo com El Indio, Menchito ordenou a execução de pessoas de sua equipe por razões banais, como um erro ao estacionar. Essa espiral de violência apenas reforçou a imagem do jovem como uma figura temida dentro da organização.
A separação e a dor de Mencho
A relação entre Mencho e Menchito se complicou ainda mais com a prisão e a extradição de Menchito para os Estados Unidos, o que trouxe sofrimento ao pai. Mencho expressava frequentemente sua intenção de trazer Menchito de volta, reafirmando seu papel de protetor e mentor mesmo em meio ao caos do tráfico.
Um detalhe que chama a atenção é que Menchito era frequentemente descrito como um jovem inteligente, com ambições de modernizar o cartel, em contraste com a 'velha escola' representada por seu pai. O desdobramento da relação entre eles, como evidenciado em documentos judiciais, se transformou em um estudo fascinante sobre poder, lealdade e violência dentro do universo do tráfico de drogas.
Resumindo, a história de Mencho e Menchito é não apenas uma narrativa sobre a ascensão de um império do crime, mas também um retrato trágico e complexo de uma relação paterna profundamente influenciada pelo mundo violento que os cercava. À medida que novos detalhes emergem, essa relação continua a ser uma chave para entender o funcionamento interno do CJNG.