O novo míssil intercontinental Sentinel da Força Aérea dos EUA está a caminho do seu primeiro teste de voo no próximo ano, mas ainda há incertezas significativas quanto à construção de silos para abrigá-lo. O LGM-35A Sentinel, projetado para substituir a frota de Minuteman III em operação desde 1970, deverá se tornar operacional no início da década de 2030, embora a construção dos silos permaneça sem prazo definido.
Após a expiração do tratado New START, que limitava a capacidade dos mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs) de portar múltiplas ogivas, a Força Aérea dos EUA está considerando a possibilidade de equipar cada míssil Sentinel com várias ogivas, em vez de uma única. A nova estrutura orçamentária do programa Sentinel foi estimada em cerca de US$ 141 bilhões, um aumento significativo em relação aos US$ 77,7 bilhões iniciais, relacionado a um "Nunn-McCurdy breach" que ocorre quando os custos de um projeto superam as previsões.
No entanto, a reestruturação orçamentária prevista ainda não foi finalizada. A Força Aérea interrompeu a construção de novos silos na década de 1960 e não desenvolve um novo ICBM desde os anos 1980. A nova implementação do Sentinel representa o maior projeto de obras civis do governo dos EUA desde a finalização do sistema rodoviário interestadual.
O general Dale White, diretor do Pentágono para sistemas de armas críticas, anunciou que a reestruturação do programa deve ser concluída até o final do ano, mas mesmo assim, os desafios permanecem. Para a construção de novos silos, a Força Aérea, em parceria com contratantes e com o Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA, começará a escavar milhares de novos silos nos estados de Colorado, Montana, Nebraska, Dakota do Norte e Wyoming.
Enquanto isso, a Northrop Grumman, contratante principal do Sentinel, começou a construção do primeiro silo protótipo em Promontory, Utah, e a Força Aérea já encomendou 659 desses mísseis, dos quais mais de 400 estão destinados a estar em alerta. O primeiro teste de lançamento do missile Sentinel está programado para 2027.
A recente expiração do tratado New START tem gerado preocupações sobre um novo embates entre potências nucleares. A liberdade para equipar os ICBMs com múltiplas ogivas pode aumentar a imprevisibilidade na segurança global, uma vez que eliminou limites estritos na quantidade de ogivas nucleares que os Estados Unidos e a Rússia podem empregar. Especialistas questionam se a necessidade de mísseis balísticos baseados em terra continua válida na era atual, dado que sua localização é bem conhecida e, portanto, suscetível a ataques.
Em meio a esse cenário, políticos de alta posição no Congresso continuam a apoiar o programa ICBM, reforçando a relevância do Sentinel entre as estratégias de defesa nacional. Além disso, estão em desenvolvimento novas opções de armamento, como o bombardeiro estratégico B-21 Raider e uma nova geração de submarinos nucleares.
Desafios ainda aguardam a implementação total do Sentinel, mas seu impacto no futuro da defesa nuclear americana é inegável. A interseção entre tecnologia, estratégia militar e política continuará a moldar discussões sobre o poder nuclear global.
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