Beatriz Vitória da Silva: A Jovem que Transforma Resíduos em Recursos
A preocupação com o meio ambiente e a inovação podem andar de mãos dadas, como comprova o projeto desenvolvido por Beatriz Vitória da Silva, uma estudante de 18 anos da Escola Técnica Estadual Professor Paulo Freire, localizada em Carnaíba, Pernambuco. A jovem conquistou o segundo lugar na categoria Estudante do Ensino Médio da 31ª edição do Prêmio Jovem Cientista com sua iniciativa chamada Filtropinha, que utiliza cascas de fruta-do-conde para filtrar a manipueira, um líquido tóxico resultante da produção de farinha de mandioca.
Uma Solução Eficaz para um Problema Antigo
Durante uma aula de Construções e Invenções Sustentáveis, Beatriz e seus colegas foram desafiados a encontrar soluções para problemas ambientais em suas comunidades. Motivados pela questão da poluição causada pela manipueira — que pode contê-la até 25 vezes mais poluente que o esgoto comum —, os alunos começaram a investigar a degradação do solo ao redor da casa de farinha do Travessão do Caroá.
O uso de cascas de fruta-do-conde para filtrar a manipueira não apenas reduz a poluição, mas também visa um uso mais sustentável da água, um recurso escasso vital para a produção de farinha. A lavagem das raízes de mandioca para produção pode consumir entre 15 mil a 20 mil litros de água, gerando uma preocupação significativa na região.
Metodologia e Resultados
No desenvolvimento do projeto, a equipe enfrentou desafios, incluindo o alto custo das fitas para medir a concentração de ácido cianídrico. Em vez disso, decidiram conduzir um experimento usando sementes de alface para testar a eficácia do filtro desenvolvido. O resultado foi surpreendente: enquanto a germinação em manipueira não filtrada foi de apenas 20%, no líquido tratado pelo filtro, a taxa de sucesso aumentou para cerca de 80%.
Impacto na Comunidade e Reconhecimento
O protótipo final do filtro, que utiliza farinha e carvão ativado das cascas, custa menos de R$ 5, mostrando-se uma solução acessível e eficaz. Beatriz e sua equipe não apenas conquistaram prêmios, como o Criativos Escola + Natureza, do Instituto Alana, mas também foram reconhecidos com a oportunidade de participar da COP30 em Belém, onde puderam compartilhar suas inovações e conquistas.
— Nossas atitudes de hoje estão transformando o futuro. Um futuro em que os trabalhadores das casas de farinha não precisem mais se preocupar com problemas do passado, como o descarte da manipueira — afirma Beatriz. — Saber ancestral e ciência podem caminhar juntos.