Pesquisa revela assédio a mulheres em São Paulo
Uma pesquisa feita pelo Instituto Cidades Sustentáveis, em parceria com a Ipsos-Ipec, destacou um dado alarmante: sete em cada dez mulheres na cidade de São Paulo relataram já ter sido vítimas de assédio. O levantamento ouviu 700 moradoras da capital paulista, e seus resultados ressaltam a gravidade da situação enfrentada pelas mulheres em ambientes urbanos.
O estudo aponta que os locais mais comuns para esses episódios são as ruas e o transporte público. Mais da metade das entrevistadas afirmou ter vivido situações constrangedoras dentro de ônibus, metrôs ou trens. Os dados foram apresentados em um cenário onde somam-se outras formas de assédio que possam ocorrer em locais de trabalho, bares, restaurantes e até em casa.
Uma das testemunhas do impacto desse fenômeno foi Gabriela de Oliveira Aparício, promotora que comentou sobre a vulnerabilidade das mulheres:
“Posso falar assim pela maioria das mulheres que elas se sentem inseguras, né? Porque hoje em dia a gente tá vulnerável, não tem uma proteção assim específica para mulher.”
A pesquisa revelou que 54% das mulheres entrevistadas na capital já sofreram assédio nas ruas, um dado que expõe uma realidade cruel e preocupante. Não apenas a incidência de assédio em transportes públicos é alarmante, mas também as experiências individuais relatadas refletem um fenômeno de normalização do terror cotidiano enfrentado por muitas mulheres.
A auxiliar financeira Fabiana Dias Alves descreveu sua experiência em ônibus lotados, mencionando:
“Difícil, difícil, é mãos que a gente nem sabe de onde está vindo, empurra-empurra, encoxa-encoxa, é muito difícil.”Já Leidiane de Brito disse que a frequência das ocorrências chega a tornar isso algo “normal” em seu dia a dia.
Em adição, o estudo aponta que uma em cada cinco vítimas de feminicídio na capital paulista estava sob medida protetiva, evidenciando um ciclo de violência que se perpetua mesmo quando medidas de segurança são implementadas.
A resposta de outras mulheres diante de situações de assédio tem sido de tentativa de apoio. A cozinheira Evaneide da Cruz afirmou:
“Eu aviso pra ela, não penso duas vezes, que eu já vi e eu acho muito feio.”Exemplos como o da mulher que gravou um assédio em um trem da CPTM, permitindo a prisão do agressor por importunação sexual, mostram que ações diretas podem ajudar no combate a esse problema, embora a impotência e frustração com o sistema, que frequentemente libera os agressores, persistam.
Zuleica Goulart, do Instituto Cidades Sustentáveis, destacou que os dados evidenciam a sensação de insegurança das mulheres em espaços públicos. Para ela, a solidariedade feminina tem se mostrado um alicerce na luta contra a violência:
“As mulheres cada vez mais pegando na mão umas das outras. Eu acho que isso é importante para a luta do enfrentamento à violência.”Essa união entre mulheres é um passo crucial para enfrentar uma problemática que não pode ser invisibilizada e requer atenção urgente de sociedade e autoridades.
A atendente Esther Caetano complementou a ideia de intervenção em situações de assédio:
“Acho que tem que ir para cima, meter a colher ali, chamar outras pessoas também. Realmente tá bem complicado.”O sentimento geral aponta que a luta contra o assédio ainda precisa de mobilização coletivas efetivas, onde cada mulher que grita e se faz ouvir contribui para a transformação dessa realidade avassaladora.