Universidades de Bangladesh fecham por crise energética
O Governo de Bangladesh anunciou o fechamento de todas as universidades a partir de segunda-feira (9), antecipando o início do feriado de Eid al-Fitr, como parte de um conjunto de medidas emergenciais para economizar eletricidade e combustível. Essa decisão é uma resposta à grave crise energética que o país enfrenta, intensificada pelo conflito no Oriente Médio e suas consequências no mercado global de energia.
O fechamento se aplica a todas as instituições de ensino superior, públicas e privadas, em um momento em que o país depende de importações para 95% de suas necessidades energéticas. Em um decreto publicado na sexta-feira (6), o governo impôs limites diários para a venda de combustíveis, uma medida que busca controlar a escassez que vem afetando os motoristas e aumentando a preocupação com o abastecimento.
“Estamos fazendo tudo o que podemos para reduzir o consumo e garantir estabilidade no fornecimento de energia, combustível e importações,” afirmou um alto funcionário do Ministério da Energia.
Bangladesh, cuja economia se destaca pela indústria de vestuário e produção química, já enfrentava desafios no fornecimento de gás e energia antes do agravamento da situação internacional. Nesta crise, o governo tomou medidas para aliviar o congestionamento no trânsito, que também contribui para o desperdício de combustível. De acordo com autoridades, os campi universitários consomem grandes quantidades de energia, especialmente para manter o funcionamento de dormitórios e outras áreas comuns.
Em um adendo a essa situação, as escolas públicas e privadas no país já estão fechadas durante o mês sagrado islâmico do Ramadã, o que significa que a maioria das instituições de ensino permanecerá inativa durante esse período. O governo sugeriu também que escolas com currículo estrangeiro e centros de aulas particulares suspendam suas atividades temporariamente como parte de uma estratégia mais ampla de austeridade.
A escassez de gás natural já levou Bangladesh a interromper operações em quatro de suas cinco fábricas estatais de fertilizantes, redirecionando o gás disponível para usinas de energia. O desafio se agrava com a necessidade de compras de gás natural liquefeito (GNL), que estão ocorrendo a preços muito mais altos no mercado à vista para suprir a falta de fornecimento.
Com o Eid al-Fitr se aproximando, que marca o fim do Ramadã – e estava previsto para começar em 20 de março de 2026 – a antecipação do feriado poderá trazer alívio temporário em meio a uma conjuntura tão desafiadora.