Kaja Kallas critica Trump e destaca riscos à Europa
A chefe da diplomacia e vice-presidente da União Europeia (UE), Kaja Kallas, não poupou palavras ao criticar o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante uma entrevista ao Financial Times. Segundo Kallas, Trump "quer dividir a Europa" utilizando táticas típicas de adversários do bloco europeu.
Kallas apontou exemplos de como o governo americano, sob Trump, implementou tarifas e fez ameaças econômicas, além de ter tentado anexar a Groenlândia, como formas de coagir as nações europeias. A vice-presidente da UE destacou a urgência de uma resposta unificada de países do bloco em resposta às provocações de Washington.
De acordo com Kallas, a relação entre a UE e os EUA é complicada, especialmente após a publicação de um documento pela Casa Branca que questiona o compromisso militar dos norte-americanos com a Europa. "A nossa resposta não deve ser 'Ah, vamos tratar com [Trump] bilateralmente', mas sim... 'Vamos tratar com eles juntos'", defendeu, enfatizando que a união fortalece a posição europeia.
Além disso, Kallas observou que as ações de Trump têm reforçado a argumentação a favor de uma Europa mais autônoma, menos dependente militarmente dos EUA. Ela advertiu, no entanto, que decisões apressadas podem ter consequências negativas. Para ela, é fundamental encontrar um equilíbrio: "Precisamos comprar da América porque não temos os ativos, as possibilidades ou as capacidades de que precisamos. Ao mesmo tempo, também precisamos investir na nossa própria indústria de defesa para não colocarmos todos os ovos no mesmo cesto", afirmou.
A chefe da diplomacia da UE ainda expressou preocupações com o receio de países do leste europeu, próximos à Rússia, em relação a um possível afastamento dos EUA. Segundo Kallas, "se tomarmos estas medidas fortes, isso também terá um efeito de retaliação, é doloroso". No entanto, ela acredita que a Europa deve ser forte em suas decisões, pois essa postura é entendida pelo governo norte-americano. "Se concordamos com o diagnóstico, também deveríamos concordar com a cura", finalizou Kallas, ressaltando a necessidade de coesão e estratégia no âmbito da política externa europeia.