A experiência que une tradição vinícola e cultura
Miriam Santiago, produtora rural e proprietária de uma vinícola no interior do Rio Grande do Sul, descobriu uma forma inovadora de valorizar a história negra por meio do vinho. Essa iniciativa propõe uma experiência que vai além da degustação, convidando os visitantes a embarcar em processos ancestrais de produção vinícola, tudo embalado por samba e narrativa cultural.
O crescimento do afroturismo no Sul do Brasil
Em Poço das Antas, a pisa da uva ganhou novos significados ao ser transformada em uma experiência de afroturismo. A proposta busca integrar vinho, memória e identidade cultural em um único espaço, onde o ritmo do samba marca cada passo. Miriam, ao unir essa prática histórica com a música, conta uma narrativa pouco explorada: a conexão histórica entre pessoas negras e a produção de vinho.
A trajetória de Miriam Santiago
Filha de trabalhadores rurais do interior de São Paulo, Miriam sempre teve relação com a terra. Após se formar em Direito, acreditava que sua trajetória seria distinta da agricultura. Contudo, ao se mudar para o Rio Grande do Sul para ajudar na propriedade da família do marido, sua visão sobre o trabalho rural mudou radicalmente.
Com um investimento inicial de R$ 50 mil, ela deu início à sua agroindústria. Além de vinhos, a vinícola agora também produz sucos integrais, geleias e licores. No entanto, foi a criação da atividade "Samba na Uva" que realmente impulsionou seus negócios, oferecendo aos visitantes uma experiência interativa que inclui a pisa simbólica das uvas, rodas de samba e degustação de produtos locais.
O impacto da valorização cultural nos negócios
A iniciativa de Miriam baseia-se em pesquisas que revelam a pisa da uva como uma prática ancestral que remonta ao Egito Antigo, sendo amplamente difundida na Europa com a participação significativa de pessoas negras. Entre 2024 e 2025, a vinícola de Miriam viu seu faturamento crescer 248%, impulsionado pelo turismo e pela expansão das vendas em redes de supermercados.
"O vinho não é apenas um produto. As pessoas compram uma história. Quando conhecem essa narrativa de quem a produz, o valor muda", afirma Miriam. Para alcançar suas metas, ela compreende a importância de participar de feiras do setor e de ser persistente. "Entrar no supermercado não significa que o desafio acabou; a marca ainda precisa se apresentar ao consumidor", ressalta.
Visando novos horizontes e mercados
Os planos de Miriam vão além do crescimento financeiro. Ela deseja criar experiências mais intimistas para visitantes em grupos menores, onde poderão colher a uva e acompanhar o processo produtivo de perto. "Não é só vinho. São muitas histórias", resume.
Com o samba, a terra e o vinho como aliados, Miriam está transformando tradição em uma poderosa estratégia de negócio, conectando identidade cultural e valor de mercado. A empreendedora almeja exportar seus produtos, especialmente para países africanos, reforçando os laços culturais que a inspiraram desde o início de sua jornada.