Trump considera adiar viagem à China em meio a tensões globais
O presidente Donald Trump sugeriu que pode adiar sua viagem à China, inicialmente programada para o final do mês, enquanto busca aumentar a pressão sobre Pequim para reabrir o Estreito de Ormuz. Os preços do petróleo têm disparado devido a tensões crescentes na região, principalmente em decorrência da guerra com o Irã.
Em uma entrevista ao Financial Times, Trump comentou: "Gostaríamos de saber" se a China fará parte da nova coalizão que está tentando montar para garantir o tráfego de petroleiros pelo estreito. O cancelamento ou adiamento de sua visita pode ter impactos econômicos significativos, especialmente considerando a atual tensão nas relações entre Washington e Pequim, que já enfrentaram ameaças mútuas de tarifas ao longo do último ano.
No momento, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, estava se reunindo com o vice-premiê chinês, He Lifeng, em Paris para discussões comerciais, as quais poderiam impactar a viagem de Trump a Pequim.
A possibilidade de adiar a visita surge em um contexto delicado, uma vez que, durante os primeiros dias do conflito no Irã, Trump havia afirmado que a Marinha dos EUA escoltaria petroleiros pelo Estreito de Ormuz. Entretanto, com o aumento vertiginoso dos preços do petróleo, novas estratégias estão sendo consideradas. Neste fim de semana, ele fez um apelo para que outras nações se juntassem ao esforço com seus próprios navios de guerra, mas até agora, não houve resposta positiva formal.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, relatou que seu país recebeu consultas de vários outros países sobre a segurança das passagens para seus navios. Araghchi destacou que cabe às forças armadas do Irã decidir sobre o tráfego no estreito, afirmando que este permanece aberto exceto para os Estados Unidos e seus aliados.
Trump, em sua declaração a jornalistas a bordo do Air Force One, menciona que os EUA iniciaram conversas com aproximadamente sete países sobre apoio militar na região, mas não revelou quais países. Ele insinuou que a China poderia ser incluída nessas negociações, referindo-se à dependência chinesa do petróleo do Golfo.
Além disso, os crescentes preços do petróleo têm gerado preocupações adicionais para Trump, especialmente com a aproximação da temporada eleitoral de 2026. A China, por sua vez, enfrenta pressões econômicas, tendo reduzido sua meta de crescimento para a faixa de 4,5% a 5%, a menor perspectiva desde 1991.
Antes da menção de Trump sobre a possibilidade de adiar sua viagem, um porta-voz da embaixada chinesa em Washington não se comprometeu com o apelo do presidente americano por assistência no estreito, destacando a importância da segurança nessa rota crucial para o comércio internacional de mercadorias e energia. O porta-voz enfatizou a responsabilidade de todas as partes envolvidas em garantir um fornecimento de energia estável e contínuo.