Bruxelas reforça aposta na energia nuclear em meio a crise
A guerra no Irã traz à tona a vulnerabilidade geoeconômica da Europa enquanto importadora de combustíveis fósseis. Com os preços da energia em alta, a inflação se agrava, enfraquecendo ainda mais o crescimento econômico do continente. Nesse cenário, a Comissão Europeia decidiu adotar a energia nuclear como um elemento estratégico em sua busca pela autonomia energética.
Esta mudança de posição surge em um momento em que o mundo demanda cada vez mais energia, especialmente devido ao aumento do consumo em centros de dados e pela expansão da inteligência artificial. A dependência da Europa do gás, evidenciada pela invasão russa à Ucrânia em 2022, fez com que a união reconsiderasse sua abordagem em relação à energia nuclear, que antes era vista como um problema a ser resolvido.
Durante décadas, após o acidente de Fukushima no Japão em 2011, a energia nuclear foi considerada uma alternativa arriscada, levando os países europeus a explorarem mais as energias renováveis e a diversificarem seus fornecedores de gás. As crises geopolíticas e os desafios associados a essa estratégia, no entanto, mostraram-se caros e insuficientes. O chanceler alemão Friedrich Merz já declarou que a decisão de descontinuar a energia nuclear sob a liderança de Angela Merkel foi um erro estratégico.
A mudança de enfoque da Comissão Europeia contrasta com as opiniões da vice-presidente Teresa Ribera, que prega a transição para fontes limpas de energia. Embora a aposta em energias renováveis seja fundamental, a intermitência delas representa um desafio significativo. O alerta de Bruxelas para evitar o fechamento prematuro de usinas nucleares reflete a realidade encarada por muitos países e serve como um chamado à reflexão para o governo espanhol sobre a proposta de que as energias renováveis sejam o futuro planejado.
A energia nuclear apresenta desafios como custos de construção elevados, prazos longos, riscos de segurança e os problemas de armazenamento de resíduos radioativos. Nesses termos, investir em tecnologia limpa e em fontes de geração autóctone se torna imprescindível, mas a complementaridade das fontes energéticas disponíveis, incluindo a nuclear, se mostra igualmente essencial para garantir a estabilidade energética do continente.

