Três homens condenados por tentativa de feminicídio em Guararema
No dia 18 de outubro de 2023, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) proferiu sentenças severas contra três homens envolvidos em um caso grave de tentativa de feminicídio e aborto. O crime ocorreu em fevereiro de 2024 e teve como vítima uma mulher grávida, Maria Carolina de Andrade.
Durante o julgamento, que se estendeu por dois dias, o promotor de Justiça, Leonardo Dantas Costa, enfatizou a seriedade da situação, apresentando dados relevantes sobre feminicídio e pedindo aos jurados que considerassem as evidências apresentadas. O júri, composto por sete membros - cinco homens e duas mulheres, fez sua escolha após discussões intensas.
As penas impostas foram significativas: Luciano Rodrigo dos Santos, o ex-companheiro da vítima, recebeu 27 anos e 1 mês de prisão, enquanto Rodrigo Costa Ramos, que também participou do crime, foi condenado a 27 anos, 8 meses e 14 dias. Já Adriano Augusto de Lima, acusado de envolvimento no caso, recebeu uma pena de 14 anos.
A defesa de Santos, segundo comunicado de seu advogado, pretende recorrer da decisão, enquanto a defesa de Ramos busca anular o julgamento, alegando que os jurados tiveram acesso a uma prova inadmissível no processo. Por outro lado, a defesa de Lima avaliou a condenação como um resultado positivo dado o contexto do crime.
A vítima, Maria Carolina, sobreviveu ao ataque, mas não sem dificuldades. "Eu nasci de novo. Eu tive essa segunda chance que Deus me deu. Eu consegui sobreviver, graças a Deus", declarou ela durante o julgamento. Maria relatou sua luta contínua para superar o trauma que vivenciou, mencionando o tratamento psiquiátrico que está recebendo. Ela também negou a versão apresentada por um dos réus, sublinhando a gravidade do que ocorreu: "Ele mandou matar o próprio filho. É muito triste, revoltante. Espero que a justiça seja feita", afirmou.
A investigação detalhou que Maria Carolina foi encontrada ferida em 11 de fevereiro de 2024, após desaparecer desde o dia 9 do mesmo mês. Ela foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e transportada para um hospital em Mogi das Cruzes. As autoridades informaram que ela foi vista pela última vez ao solicitar um carro de aplicativo. Posteriormente, uma denúncia anônima levou à identificação de um suspeito que confessou o crime, afirmando que o ex-companheiro da vítima teria oferecido R$ 5 mil pelo assassinato. Infelizmente, a vítima perdeu o bebê devido aos ferimentos, que incluíram cortes profundos no pescoço. O encontro entre a vítima e o autor do ataque foi previamente agendado pelo ex-companheiro, e o autor do crime foi reconhecido pela vítima em uma foto. A arma do crime foi encontrada e está sob custódia da polícia.
Casos como este evidenciam a importância de medidas eficazes contra a violência de gênero e a necessidade de ações que assegurem a proteção das mulheres em situações vulneráveis.