A Fiscalia Europeia investiga uso de fundos em obras de Adamuz
A Fiscalia Europeia iniciou uma investigação para determinar se houve malversação de fundos comunitários nas obras das vias de Adamuz, em Córdoba. O acidente ferroviário que ocorreu no local, no dia 18 de janeiro, resultou na trágica morte de 46 pessoas. As autoridades estão analisando se os 111 milhões de euros concedidos pela Comissão Europeia para renovar a linha de Madrid a Sevilla foram utilizados de maneira apropriada.
A Audiencia Nacional da Espanha designou o juiz José Luis Calama como responsável por supervisionar essa investigação, que está ocorrendo paralelamente a uma apuração já iniciada por um tribunal local em Montoro. Esta última investigação visa identificar as causas do descarrilamento do trem Iryo, que colidiu com um Alvia que vinha na direção oposta.
Segundo informações de veículos de imprensa, como El Mundo e EL PAÍS, os procuradores europeus têm trabalhado por semanas na fase inicial de verificação para investigar se os fundos da União Europeia estiveram comprometidos nas obras e se houve crime no seu uso. A Comissão Europeia havia concedido a quantia exata de 111.646.340 euros em junho de 2024, destinada à renovação dessa linha ferroviária, a mais antiga de alta velocidade na Espanha, datando de 1992.
O pacote de financiamento previa a “substituição de raíles e traviesas” com o uso de Fundos Europeus de Desenvolvimento Regional (Feder). O ministro de Transportes, Óscar Puente, comentou por meio de uma publicação em sua conta de X (anteriormente Twitter) que a Fiscalia Europeia já investiga o acidente desde o seu início. Puente destacou que em todos os casos com envolvimento de fundos europeus isso ocorre, rebatendo o que ele considera uma “novidade importante” que na verdade não é.
A publicação do ministro também incluiu um documento enviado por procuradores europeus, que solicitaram ao Adif, a entidade pública responsável pela infraestrutura ferroviária, todos os contratos e números de expedientes relacionados ao trecho onde aconteceu o acidente.
A Fiscalia Europeia investiga impreterivelmente todo o uso de recursos da União Europeia. Após comprovar que houve investimento de fundos em Adamuz, a investigação foi iniciada. Para isso, foi aberto um processo na Audiencia Nacional, que é responsável pela supervisão da investigação pela Fiscalia. O juiz Calama atuará no gerenciamento do andamento do processo, podendo determinar medidas restritivas, como entradas e registros.
Na investigação em Montoro, que começou no mesmo dia do acidente, a Comissão de Pesquisa de Acidentes Ferroviários já esclareceu alguns pontos. A principal teoria sobre a causa do descarrilamento é a falha de soldadura entre trilhos de anos diferentes: um produzido em 2023 e outro em 1989, com diferentes grados de dureza. Um relatório de manutenção do sistema de sinalização indicou queda de tensão no circuito 22 horas antes do acidente do trem Iryo, que fazia o trajeto Málaga-Madrid.