Entenda a Estratégia de Decapitação da Guerra no Irã
A recente guerra no Irã, que teve início com ataques em fevereiro de 2026, trouxe ao centro das discussões a estratégia militar de decapitação utilizada por Israel e Estados Unidos para eliminar líderes do regime dos aiatolás. Essa tática, embora comum na luta contra grupos armados, mostra-se inadequada quando aplicada a estados, como explica o especialista Carlos Gustavo Poggio.
Desde o primeiro ataque, diversas figuras de alto escalão do regime de Teerã foram alvo de ações. A morte de Ali Khamenei, o líder supremo do Irã, e depois a de Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, são exemplos claros da aplicação dessa estratégia. Para Poggio, esses ataques, além de não garantirem a fragilidade do regime, podem, na verdade, fortalecer a ala mais radical.
Com a morte de Larijani, considerado um político moderado que servia de ponte entre correntes diversas, o caminho para a ascensão de líderes mais extremistas, como seu filho Mojtaba Khamenei, foi aberto. A escolha deste último como novo líder supremo reforça a continuidade do regime teocrático e sinaliza uma possível intensificação do conflito e da retaliação.
A Análise da Estratégia de Decapitação
Poggio menciona que a estratégia de decapitação é mais eficaz em contextos onde a estrutura de poder é hierárquica e menos complexa, como em grupos armados. A morte de um líder nesse contexto pode, de fato, desestabilizar a organização. Contudo, em uma nação como o Irã, a eliminação de uma figura central não garante que o sistema se desmorone.
Ao contrário, pode provocar um efeito oposto: a população poderia se unir em defesa do regime, aumentando a resistência e endurecendo as posições dos líderes remanescentes. "Muitas vezes, esse tipo de ação resulta em uma reação contrária, levando à popularidade do regime", observa Poggio.
Principais Baixas do Regime Iraniano
A seguir, apresentamos uma lista das principais autoridades iranianas que foram assassinadas durante os recentes ataques:
- Ali Khamenei, líder supremo do Irã. Morto em 28 de fevereiro durante um ataque na residência oficial.
- Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, considerado chefe de fato após a morte de Khamenei.
- Mohammad Pakpour, chefe da Guarda Revolucionária, eliminado no mesmo ataque que Larijani.
- Abdolrahim Mousavi, chefe do Estado-Maior, também morto nos ataques de 28 de fevereiro.