PSD e sua trajetória nas eleições de 2026
Passados 15 anos de sua fundação, o PSD chega às eleições de 2026 com o maior número de prefeitos e tentando viabilizar uma terceira via em meio à polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O PSD, que surgiu em 2011, se consolidou como a quarta maior força política do país nas eleições municipais do ano seguinte. Comandado por Gilberto Kassab, o partido foi pioneiro em anunciar apoio à reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff, mas também participou de seu impeachment em 2016.
Desde 2018, o PSD se apresenta como uma alternativa para romper a polarização entre a direita e a esquerda, dominadas pelo PL e pelo PT. Embora o conceito de "terceira via" não tenha prosperado em outros momentos, o partido apresenta capital político para enfrentar as forças predominantes. Nas eleições municipais de 2024, o PSD conquistou o maior número de prefeitos, com 891 eleitos, e atualmente possui o maior número de governadores do Brasil, incluindo Ratinho Júnior (PR), Raquel Lyra (PE), Fábio Mitidieri (SE), Eduardo Leite (RS), Ronaldo Caiado (GO) e Marcos Rocha (RO).
Cenário político e intenções de voto
A tendência atual é que Ratinho Júnior seja o escolhido para representar o partido na disputa presidencial, tentando quebrar a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, que atualmente estão empatados numericamente, ambos com 41% das intenções de voto, segundo pesquisa da Quaest.
Força no Legislativo
O PSD também mostra um forte crescimento no Legislativo, tendo alcançado um aumento significativo no número de representantes. Nas eleições de 2018, o partido elegeu 35 deputados e chegou a 42 em 2022. Atualmente, possui 47 parlamentares, garantindo a indicação de um ministro na Esplanada. No Senado, o PSD começou a legislatura em 2023 com 15 membros, mantendo-se como a segunda maior bancada.
O papel do PSD como "centro raiz"
O PSD ocupou um espaço que antes era dominado pelo MDB, assumindo a função de um partido pêndulo que transita entre diversas alas ideológicas. Os diretórios estaduais têm a liberdade de formar alianças para maximizar suas chances eleitorais, sem a vinculação a ideologias específicas. Isso possibilitou ao partido apoiar Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, como candidato ao governo do estado e dar apoio à chapa petista na Bahia, mostrando a flexibilidade pragmática que caracteriza suas alianças.
Pragmatismo como estratégia
A principal lógica do pragmatismo do PSD é aumentar suas bancadas na Câmara e no Senado, garantindo maior poder de negociação na próxima legislatura. Com o enfraquecimento de partidos tradicionais como MDB e PSDB, Kassab identificou uma oportunidade no centro político raízes, possibilitando trânsito entre o campo político da centro-direita e da centro-esquerda. O cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UNB), destaca a habilidade de Kassab em atrair quadros insatisfeitos de outras legendas, visando consolidar a força do PSD no cenário político.