Controvérsia marca a saída de Robert Malone do painel de vacinação
Robert Malone, um dos conselheiros federais de vacina escolhidos pelo Secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr., anunciou sua saída do painel de vacinação, alegando problemas de comunicação com um porta-voz do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS). Malone, que se tornou conhecido por sua posição contra vacinas e teorias da conspiração, comunicou sua decisão em uma entrevista ao CQ Roll Call na terça-feira.
Sua saída ocorreu em um contexto tenso, onde um juiz federal havia bloqueado temporariamente as nomeações de Kennedy para o Comitê Consultivo sobre Práticas de Imunização (ACIP), que Malone integrava como vice-presidente. Toda a equipe original de 17 especialistas do painel foi demitida por Kennedy no ano passado. O juiz alegou que essas mudanças eram provavelmente ilegais e, portanto, não poderiam ser implementadas.
Na quinta-feira anterior a sua saída, Malone publicou em suas redes sociais que o HHS havia desfeito o ACIP e planejava reformulá-lo completamente, sem contestar a decisão do juiz ou defender as nomeações de Kennedy. Porém, ele logo recuou, classificando suas afirmações como uma má interpretação, afirmando que a dissolução do ACIP era apenas uma das "opções sendo consideradas".
O porta-voz do HHS, Andrew Nixon, emitiu um comunicado após o recuo de Malone, enfatizando que quaisquer afirmações sobre ações futuras deveriam ser consideradas como especulação. Em resposta a essa situação, Malone se sentiu injustiçado e declarou: "Depois de Andrew me desmerecer com a imprensa, eu estou fora do CDC e do ACIP. Isso foi a gota d'água." Ele também expressou que preferia evitar dramas e que tinha "coisas melhores para fazer".
Rich Danker, Secretário Adjunto de Assuntos Públicos do HHS, também se pronunciou, mostrando apoio a Nixon e confirmando a saída de Malone. Em suas palavras, ele expressou compreensão pela decisão de Malone, especialmente considerando o tempo investido pelos membros do ACIP em prol da saúde pública. Ao mesmo tempo, ele destacou a profissionalidade e honestidade de Nixon em suas funções.
Em um tom de descontentamento, Malone não hesitou em continuar sua defesa. Em declarações ao New York Times, ele alegou que sua saída não foi impulsiva e que sua experiência no ACIP foi repleta de "horas de trabalho não compensadas, ódio de diversos setores, imprensa hostil, intrigas internas e sabotagens". Joseph Hibbeln, outro membro do ACIP escolhido por Kennedy e que frequentemente discordava de Malone, comentou que o desejo de Malone de evitar dramas contrasta com suas declarações passadas, que eram igualmente dramáticas e confusas.
Esta situação evidencia as tensões internas no ACIP e levanta questões sobre a condução das políticas de saúde pública no cenário atual.

