Fiscalia pede a absolvição dos acusados no caso das crianças com hipertricosis
A Fiscalia de Málaga solicitou a absolvição das quatro pessoas acusadas no caso que envolve 21 crianças afetadas por hipertricosis, uma condição que provoca o crescimento excessivo de pelos no corpo. A solicitação da Justiça é embasada na compreensão de que não há qualquer infração penal nas ações dos acusados.
A investigação surgiu após um erro de rotulagem que resultou na distribuição de lotes de minoxidil — um medicamento para estimular o crescimento capilar — como se fossem omeprazol, um remédio anti-refluxo. Este insucesso levou várias farmácias em regiões como Andaluzia, Cantábria e Comunidade Valenciana a distribuir o produto incorretamente, afetando diretamente as crianças que o consumiram. Apesar do tratamento necessário, os menores não apresentaram efeitos colaterais significativos, embora alguns tenham desenvolvido leves sequelas.
Os eventos que levaram ao escândalo ocorreram no verão de 2019, quando famílias relataram um crescimento anormal de pelos em seus filhos, fenômeno que ficou conhecido como sindrom de homem lobo. “Meu filho ficou coberto de pelo na testa, nas bochechas, braços e pernas... Até as sobrancelhas pareciam de um adulto”, revelou Ângela Selles, mãe de uma das crianças afetadas. O caso foi notificado por diversos médicos ao Sistema de Farmacovigilância Espanhol, que encaminhou a situação para a Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos Sanitários.
Investigações indicaram que o problema estava relacionado a certos xaropes para refluxo, que foram preparados com fórmulas magistrais e vendidos em farmácias, originando-se da empresa Faram-Química Sur, localizada em Málaga. O erro no envasamento foi identificado, desencadeando uma série de ações legais por parte da Fiscalía.
Em agosto de 2019, com a alarme sanitário já emitido, a Fiscalia de Málaga iniciou um processo investigativo. Em dezembro, a abertura de um procedimento penal foi solicitada contra os responsáveis da empresa por suspeitas de delito contra a saúde pública e de negligência profissional, já que medicamentos etiquetados como omeprazol continham minoxidil.
Embora a Fiscalia tenha solicitado o arquivamento do caso por falta de provas suficientes para apresentar uma acusação formal contra os responsáveis da empresa, várias acusações particulares mantêm a crença de que houve crime, e o julgamento seguirá adiante. A Justiça determinará se as evidências são suficientes para prosseguir com o julgamento, mesmo com a solicitação de absolvição da Fiscalía.