Retotalização de votos pode mudar a dinâmica política na Alerj
A retotalização dos votos do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pode alterar significativamente o cenário político no Rio de Janeiro. Com a anulação dos mais de 97 mil votos de Bacellar, o partido Cidadania poderá ganhar uma cadeira na Assembleia Legislativa fluminense, possivelmente ocupada por Comte Bittencourt. Isso poderá reconfigurar o equilíbrio de forças na Casa Legislativa e intensificar as articulações políticas diante da disputa pelo chamado mandato-tampão.
A recontagem de votos, marcada para a próxima terça-feira pelo Tribunal Regional Eleitoral do estado (TRE-RJ), tem o potencial de afetar a distribuição das cadeiras entre os partidos. A medida foi tomada em razão da prisão do ex-presidente da Alerj e busca garantir a ordem pública, reduzindo a instabilidade política no estado. A expectativa é que a retotalização abra espaço para novos nomes, como Comte Bittencourt, ampliando a presença do Cidadania no parlamento.
A retotalização, acompanhada de um novo cálculo do quociente eleitoral, implica que a soma dos votos válidos será dividida pelas vagas a serem preenchidas. "A perda do mandato e a cassação de diploma geram uma grande instabilidade social, que demanda a convocação de uma nova eleição. Neste caso, a peculiaridade da anulação dos votos cria a necessidade dessa retotalização", explica Fábio Luiz Gomes, vice-presidente da comissão de advocacia nos Tribunais Superiores do Instituto dos Advogados do Brasil (IAB).
O processo de recontagem deverá resultar em um novo panorama para os partidos que atingiram o quociente eleitoral ou que disputam as vagas remanescentes. Em cenários analisados pelos deputados, o Cidadania é projetado para ganhar uma representação, enquanto o PL poderá perder uma cadeira se não alcançar os votos necessários. Contudo, o PL pode ainda se beneficiar de sobras eleitorais, garantindo o status quo da sua bancada atual.
Entre os nomes cogitados para ocupar vagas, o deputado estadual Renan Jordy (PL-RJ) e Bruno Boaretto (PL), ambos suplentes, estão entre os que podem continuar no cargo, dependendo da configuração final após a retotalização. A situação evidencia um ambiente político dinâmico e repleto de incertezas, onde cada voto pode ser crucial para definir alianças e configurações de poder ao longo do próximo período legislativo.
Os deputados, cientes das novas possibilidades, têm intensificado suas articulações em busca de apoio e estratégias para garantir suas posições. "Vou esperar a retotalização dos votos e, se eu tiver que voltar, eu volto; se não, não volto. É uma questão de cautela e razoabilidade neste momento", disse um parlamentar sobre a expectativa quanto à recontagem.
Ao final de todo esse processo, o pleito pela cadeira na Assembleia não se restringe apenas às alterações numéricas; ele reflete uma profunda reconfiguração política e social que poderá influenciar a marcha do governo do estado nas próximas eleições.