Tenente-coronel da PM de São Paulo sob investigação por feminicídio
A Polícia Militar (PM) de São Paulo está iniciando um processo administrativo que pode culminar na perda da patente e na expulsão do tenente-coronel Geraldo Neto, de 53 anos. Ele foi preso sob a acusação de ter assassinado sua esposa, a soldado Gisele Alves, de 32 anos. A informação foi oficialmente confirmada pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) do estado.
O tenente-coronel será submetido a um Conselho de Justificação, que avaliará sua permanência na corporação. Para que esse conselho seja formalmente instaurado, é necessária a conclusão do inquérito que investiga as circunstâncias da morte da soldado.
De acordo com nota da SSP, a abertura deste processo disciplinar não tem prazo definido, mas será proposto pela própria PM. A investigação e o relatório preliminar estão a cargo da Corregedoria, que enviará suas conclusões ao Comando-Geral da polícia antes que Neto possa se defender.
Em comunicado, a SSP ressaltou: "O oficial citado permanece preso preventivamente por decisão judicial. O Inquérito Policial Militar (IPM) que apura o caso está em fase final. Após a conclusão e remetimento ao Judiciário, a corporação avaliará os autos para a instauração do Conselho de Justificação. O processo é independente da esfera penal e pode resultar na perda do posto, da patente e no desligamento do oficial."
O Conselho de Justificação é um mecanismo disciplinar exercido sobre oficiais, podendo levar à expulsão da corporação. No julgamento, são considerados quesitos morais, éticos e profissionais, e o militar tem direito a apresentar sua defesa. A defesa do tenente-coronel, até o presente momento, sempre afirmou sua inocência, argumentando que o caso se trata de um suicídio e não de um feminicídio.
A investigação inicialmente considerava a morte como suicídio, mas foi reclassificada para morte suspeita e, posteriormente, para feminicídio. Essas mudanças ocorreram devido a inconsistências nos depoimentos de Neto e à descoberta de evidências no apartamento do casal, localizado no Brás, região central de São Paulo. Gisele foi fatalmente atingida por um tiro na cabeça no dia 18 de fevereiro. O indivíduo alegou que encontrou a esposa caída e que ela havia cometido suicídio com sua arma, uma versão que foi seriamente contestada devido a novas evidências.
Uma exumação do corpo de Gisele revelou marcas de lesões em seu pescoço e rosto, sugerindo uma luta antes da morte, o que levanta dúvidas sobre a versão do suicídio apresentada por Neto. Registros de conversas entre o casal também contribuíram para a reavaliação do caso, confirmando que foi Gisele quem expressou desejo de se separar.
Após pedido do Ministério Público e da investigação, a Justiça decretou a prisão preventiva do tenente-coronel, que foi detido em 18 de março. Ele agora é réu pelo crime de feminicídio e também por fraude processual, acusado de manipular a cena do crime para simular um suicídio. O processo administrativo que avalia o comportamento do oficial poderá seguir em paralelo ao criminal, podendo levar a sua exclusão definitiva da Polícia Militar.