A Polícia Civil de Santos investiga um grupo suspeito de envolvimento em fraudes bancárias, com foco em uma série de saques frequentes realizados em caixas eletrônicos de um shopping no bairro do Gonzaga. A investigação começou quando policiais do 7º Distrito Policial notaram a presença de dois homens, de 24 e 25 anos, que realizavam transações repetidas em dias alternados, chamando a atenção das autoridades.
De acordo com informações do 7º DP, os suspeitos representam a etapa final de um esquema mais amplo, onde indivíduos entram em contato com vítimas, se passando por funcionários de bancos. Nesse contato, eles induzem as vítimas a realizar transferências de valores, que posteriormente são sacados pelos golpistas em caixas eletrônicos, utilizando QR Code e sem necessidade de um cartão físico.
Após um período de monitoramento, os dois homens foram abordados nas proximidades do shopping no último domingo (22). Durante a ação policial, foram encontrados com eles quatro cartões de um banco digital sem identificação dos titulares, além de dois aparelhos celulares. Apesar das evidências, os suspeitos não foram presos, pois não havia mandado judicial ou flagrante, conforme informou a Polícia Civil.
A investigação se intensificou após os homens admitirem sua participação no golpe, mas se recusarem a fornecer acesso ao conteúdo de seus celulares. A Polícia Civil, então, solicitou a quebra do sigilo telefônico dos aparelhos para explorar mais a fundo a trama criminosa, identificar outros membros da quadrilha e localizar eventuais vítimas.
Como funciona o golpe, segundo a polícia
A operação dos golpistas é bem estruturada e ocorre em várias etapas. A seguir, conheça o passo a passo deste esquema fraudulento:
Contato com a vítima
Os integrantes da quadrilha iniciam o golpe ao contatar as vítimas, geralmente se passando por gerentes de banco, funcionários de segurança ou representantes de instituições financeiras. Essas ligações são feitas com pretextos como compras suspeitas, bloqueio de contas ou necessidade de confirmação de dados.
Engano e indução ao erro
Durante a conversa, os golpistas convencem a vítima a realizar transferências financeiras ou a gerar um QR Code de pagamento, frequentemente utilizando a plataforma Pix. A vítima acredita que está cancelando uma compra ou, de alguma forma, protegendo sua conta, mas acaba transferindo dinheiro para os golpistas.
Recebimento do dinheiro
Os valores são transferidos pelas vítimas para contas de “laranjas”, que servem exclusivamente para receber o dinheiro do golpe. Após essa transferência, outros membros da quadrilha, informados via aplicativos de mensagens, recebem os QR Codes ou instruções para realizar os saques.
Saques sem uso de cartão
Finalmente, os integrantes do grupo realizam os saques diretamente em caixas eletrônicos, utilizando apenas o QR Code gerado no celular, o que elimina a necessidade do uso de um cartão físico.
Com o inquérito ainda em andamento, a Polícia Civil de Santos continua a busca por mais informações e a investigação de outros possíveis envolvidos nessa trama criminosa. Essa situação destaca a importância da conscientização sobre os riscos de fraudes bancárias e a necessidade de adotar medidas de segurança ao realizar transações financeiras.