[Furto na Unicamp envolve 24 vírus transportados]. Reprodução: G1
Uma sequência de eventos alarmantes ocorreu na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde pelo menos 24 cepas diferentes de vírus foram transportadas de um laboratório para outro. Entre os vírus envolvidos estão aqueles que causam doenças como dengue, chikungunya, zika, herpes e coronavírus humano.
A investigação teve início após uma pesquisadora perceber o desaparecimento de caixas com amostras de vírus, no dia 13 de fevereiro. A partir daí, a situação rapidamente evoluiu para uma investigação formal, com a Polícia Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sendo acionadas.
Os principais suspeitos são a professora Soledad Palameta Miller, da Faculdade de Engenharia de Alimentos, e seu marido, o veterinário e doutorando Michael Edward Miller. Imagens de câmeras de segurança mostram Michael entrando e saindo do laboratório em horários suspeitos, levados por objetos que não foram identificados como parte de sua pesquisa. Esse detalhe levantou ainda mais questionamentos sobre os protocolos de segurança no campus.
Além das amostras de vírus, parte do material foi recuperado em um biofreezer localizado na Faculdade de Engenharia de Alimentos, onde a professora trabalha. A investigação indicou que, após a operação policial, Soledad teria ido a um outro laboratório onde haveria mais amostras escondidas, levando ao descarte de material biológico e alterações indevidas em rótulos e marcações.
O caso, que se desdobrou em questão de semanas, culminou em buscas realizadas pela Polícia Federal nas instalações da Unicamp e na casa dos suspeitos. Entretanto, nada foi encontrado na residência de Michael e Soledad. O episódio levanta sérias preocupações sobre a segurança dos laboratórios da universidade, um local reconhecido pela sua excelência em pesquisa.
A direção do Instituto de Biologia, que supervisionou o local de onde os vírus foram subtraídos, enfatizou que, apesar da gravidade do incidente, não há risco generalizado de contaminação. A condição está vinculada ao fato de que os vírus em questão permaneceram armazenados corretamente, em recipientes vedados e congelados.
Soledad, que chegou a ser presa, foi liberada sob condições e responderá por transporte irregular de organismo geneticamente modificado, além de fraude processual e por expor a perigo a saúde pública. A defesa da professora e de seu esposo ainda não se manifestou sobre os detalhes do caso. A Unicamp, por sua vez, declarou em nota que se trata de um evento isolado, provocado por circunstâncias atípicas, e reafirmou seu compromisso com a segurança e integridade das pesquisas realizadas na instituição.
Com o avanço das investigações, a comunidade acadêmica e a população generalizada aguardam por maiores esclarecimentos sobre como este incidente ocorreu e quais medidas serão implementadas para evitar futuros episódios de descumprimento das normas de biossegurança.