A Igreja e o Governo firmam acordo para reparação de vítimas de abusos
Um novo protocolo a ser assinado na próxima segunda-feira promete mudanças significativas para vítimas de abusos sexuais à sombra da Igreja. Este acordo surge em um contexto onde, na maioria dos casos, não é mais possível buscar justiça na via judicial devido à prescrição dos crimes. O Defensor do Povo, que anunciou o evento, tem desempenhado um papel crucial nessa questão, buscando garantir a reparação às vítimas.
O protocolo, que será firmado às 11 horas da manhã, visa estabelecer procedimentos claros para a solicitação e concessão de indenizações às vítimas de pederastia. Nos últimos dias, houve um retrocesso nas negociações, principalmente em relação aos valores de compensação, que levantaram discussões acaloradas. Muitas das quantias que a Igreja já pagou foram consideradas "ridículas e humilhantes" por associações de defesa dos direitos das vítimas.
- O acordo contará com a assinatura do Defensor do Povo, representantes da Conferência Episcopal Portuguesa e do Governo.
- Representantes e especialistas ressaltam a necessidade de um sistema de reparação temporário, especializado e transparente.
- A participação de associações de vítimas no processo de reparação foi assegurada no pacto.
Em reuniões anteriores, já havia um entendimento entre a Igreja e o Governo sobre a necessidade de supervisão das reparações por parte do Estado. No entanto, o presidente da Conferência Episcopal, Luis Argüello, junto a outros líderes religiosos, demonstraram resistência em firmar um acordo que os subordinasse ao controle do Defensor do Povo.
O ministro da Justiça e da Presidência, Félix Bolaños, enfatizou a intenção de reunir novamente a Igreja e o Defensor do Povo para discutir como implementar as diretrizes acordadas em um prazo de um mês. O histórico da discussão, que se arrasta por quase três meses, evidencia a dificuldade em se chegar a um consenso em relação aos valores e à responsabilidade sobre as indenizações.
A criação desse protocolo é vista como um avanço, especialmente depois de uma série de escândalos que vieram à tona com investigações recentes. A jornada para um sistema de reparação robusto e eficaz começou quando um periódico proeminente lançou uma investigação formal sobre os casos de pederastia na Igreja, levando o Congresso a requisitar uma avaliação completa sobre o tema ao Defensor do Povo.
A importância de se estabelecer uma estrutura de reparação é ainda mais premente quando se considera que, em outros países, o Estado já atuou de forma eficiente em casos semelhantes. Na Europa, as indenizações variam de 6.000 euros na Bélgica a até 300.000 euros na Irlanda, com uma média calculada em 35.000 euros. Com cerca de 2.000 vítimas mencionadas em relatórios da Igreja, as estimativas sobre os custos potenciais para reparação podem chegar a mais de 70 milhões de euros.