Operação Militar Combate Garimpo Ilegal na Terra Indígena Sararé
A Terra Indígena Sararé, no Mato Grosso, tem se tornado um dos pontos mais críticos na luta contra o garimpo ilegal. A região, dominada pelo Comando Vermelho nos últimos anos, enfrenta uma grande devastação, e a presença das forças de segurança, lideradas pelo Exército, visa reverter essa realidade.
A operação, iniciada em 25 de março, não possui prazo definido para término, conforme informa Nilton Tubino, diretor geral da Casa de Governo. Desde o início da ação, mais de 60 suspeitos foram conduzidos à Polícia Federal, com apenas cinco deles ainda em prisão. O principal objetivo é recuperar a Terra para os 201 indígenas do povo Nambikwara, que habitam sete aldeias na área.
"Não temos prazo para terminar. Queremos estabilizar o território. São estruturas grandes, como no garimpo Cururu, muitos móveis e muitos bares. Isso vai levar tempo para desmanchar, mas também para evitar que retomem", afirmou Tubino.
A intensificação do garimpo na região está ligada à disparada do preço do ouro no mercado internacional, o que desperta o interesse de invasores. O acesso à Sararé é facilitado por diversos caminhos terrestres, contribuindo para a rápida reposição de equipamentos pelos garimpeiros. Para conter essa situação, o Exército bloqueou os acessos, enquanto as forças de segurança atuam por terra, rios e pelo ar.
A operação é coordenada por vários órgãos, incluindo o Ministério dos Povos Indígenas, a Funai, o Ministério da Defesa e a Polícia Federal, entre outros. O aumento da atividade garimpeira ilegal também gera preocupação internacional, especialmente em momentos de crise, como os recentes conflitos no Oriente Médio, que elevam ainda mais o valor do ouro.
Rodrigo Vitorino Aguiar, chefe das operações da Polícia Federal na região, destacou que a corrida pelo ouro cria um ambiente favorável à exploração ilegal. "O ouro, como ativo financeiro, vem batendo seu recorde histórico, o que atrai mais pessoas para a atividade de extração mineral", afirmou. A fiscalização da área é constante, e o governo federal pretende apresentar um plano definitivo para expulsar os invasores.
O diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Jair Smith, indicou que, embora o preço do ouro possa influenciar as atividades garimpeiras, o trabalho de combate à exploração ilegal é uma tarefa contínua. "Pode ser mais ou menos atrativo, mas essa relação causal não é tão imediata", explicou.
Recentemente, foi registrada uma redução de 20% na área garimpada ilegalmente na Sararé, em comparação a dados de 2024. Contudo, a exploração já devastou mais de três mil hectares do território, que abrange 67 mil hectares gerais. Os conflitos armados na região são alimentados pelo aumento do número de garimpeiros e membros de organizações criminosas, estimados em cerca de dois mil.