Davi Alcolumbre foi recentemente eleito presidente do Senado, recebendo 73 dos 81 votos dos parlamentares da Casa. Em sua primeira declaração após a eleição, ele destacou a importância de se fazer um 'mea culpa' e garantir que as emendas parlamentares sejam tratadas com transparência.
Alcolumbre, que é membro do União pelo estado do Amapá, comprometeu-se a discutir emendas com a presença dos Poderes Executivo e Judiciário, enfatizando que 'o recurso público não é do deputado e do senador. Ele é fruto dos impostos dos brasileiros'. Essas declarações foram feitas em uma entrevista concedida à Globonews.
Durante a entrevista, ele também comentou sobre a relação entre os Poderes. Mencionou os desacordos entre Arthur Lira, que preside a Câmara, e Alexandre Padilha, ministro das Relações Institucionais, afirmando que nunca teve problemas com o petista. Alcolumbre afirmou que 'cortar relação com o ministro da articulação política não faz bem para a institucionalidade'. Ele fez questão de ressaltar seu bom relacionamento com líderes governamentais do Senado, como Randolfe Rodrigues e Jaques Wagner.
Ele anunciou que, em virtude da pressão dos partidos, não será possível instalar comissões no Senado imediatamente. Também afirmou que alguns líderes pediram para adiar a eleição dos presidentes das comissões, o que pode atrasar o andamento de algumas pautas.
Quanto à sua relação com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, Alcolumbre disse ter 'excelente relação' com o titular da pasta. Ele teceu comentários sobre as disputas políticas que tentam minar a imagem pública de Haddad, afirmando que 'infelizmente, temos disputas partidárias e políticas que acabam entrando em outra esfera'. Alcolumbre enfatizou que Haddad está fazendo o possível para ajudar na agenda econômica do Brasil.
Alcolumbre também elogiou Haddad como um 'grande quadro do governo' e expressou sua disposição em colaborar. 'Eu reconheço e respeito o ministro Haddad como grande quadro do governo e já me coloquei à disposição para caminhar lado a lado com ele, como fiz anteriormente com Paulo Guedes', declarou.
No que diz respeito à proposta de ampliação da isenção do imposto de renda, uma promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Alcolumbre foi cauteloso. Ele frisou que essa é uma questão da agenda do governo e que qualquer proposta será discutida de acordo com os procedimentos normais quando chegar ao Senado. 'O governo vai apresentar às lideranças a agenda econômica', disse o novo presidente do Senado.
Alcolumbre ressaltou que está aberto a debater diversas questões relacionadas à agenda econômica e que as propostas serão discutidas em um ambiente respeitoso. 'Cada senador terá a chance de decidir se aprova ou não', afirmando que ele quer garantir um diálogo produtivo.
Por fim, o novo presidente do Senado tratou do tema da anistia para os envolvidos em atos ocorridos em 8 de janeiro de 2023. Ele mencionou que essa pauta não contribuirá para a pacificação do Brasil, e que a prioridade deveria ser a redução da pobreza. 'Devemos nos dedicar à agenda de pacificação do Brasil e não permitir que discussões irrelevantes sejam nosso foco principal', declarou. 'Espero ser um presidente que mantenha a altivez e o equilíbrio, ao mesmo tempo em que tenha a coragem de afastar pautas que não são do Parlamento das principais discussões'.