Caso de estupro de Harvey Weinstein termina em julgamento anulado após impasse do júri

Por Autor Redação TNRedação TN

Caso de estupro de Harvey Weinstein termina em julgamento anulado após impasse do júri

O caso de Harvey Weinstein, magnata de Hollywood acusado de estupro, teve um novo capítulo com a anulação de seu julgamento após um impasse do júri. O tribunal de Nova York declarou o caso encerrado sem veredito, após três dias de deliberação em que os jurados não conseguiram chegar a um consenso. Essa é a terceira vez que Weinstein enfrenta acusações de estupro em terceiro grau, e o juiz Curtis Farber deu aos promotores um prazo de 30 dias para decidir se o caso será levado a julgamento novamente.

Weinstein, de 74 anos, já havia sido condenado em 2020 por estuprar a atriz Jessica Mann, mas essa condenação foi anulada por um juiz. Em uma segunda tentativa de julgamento, o júri também não conseguiu chegar a um veredito. O mais recente julgamento começou em 21 de abril na Suprema Corte do Estado de Manhattan, com quase 20 testemunhas apresentando depoimentos.

O caso é emblemático não apenas pela gravidade das acusações, mas também pelo impacto que teve na indústria do entretenimento e no movimento #MeToo, que expôs a má conduta sexual de figuras proeminentes. A acusação contra Weinstein é considerada um crime grave de Classe E, que pode resultar em uma pena máxima de quatro anos de prisão em Nova York. No ano passado, o júri havia apresentado resultados divididos em duas acusações de ato sexual criminoso, considerando-o culpado em uma e inocente em outra.

Essa divisão no júri reflete a complexidade do caso e a dificuldade em se chegar a um consenso em situações de alegações de agressão sexual, onde as narrativas podem ser profundamente pessoais e emocionalmente carregadas. Durante o julgamento, Jessica Mann relatou ao júri que conheceu Weinstein em uma festa entre 2012 e 2013. Ela descreveu como ele começou a fazer pedidos de massagens e, após várias negativas, acabou cedendo a suas investidas sexuais.

Mann alegou que Weinstein a pressionou a ter relações sexuais, afirmando que ela “simplesmente desistiu”. O depoimento de Mann durou cinco dias e foi marcado por momentos emocionais, onde ela evitou contato visual com Weinstein e reiterou que disse não repetidamente. Ela descreveu a sensação de ser tratada como se fosse propriedade de Weinstein, um testemunho que ressoou com muitas vítimas de agressão sexual que se sentiram desamparadas e sem voz.

O advogado de defesa, Marc Agnifilo, argumentou que o sexo foi consensual e que Mann estava mentindo, sugerindo que ela viu uma oportunidade de acusá-lo após as alegações de má conduta sexual que surgiram em 2017. Essa estratégia de defesa, que muitas vezes envolve a deslegitimação da vítima, é uma tática comum em casos de agressão sexual, mas também levanta questões sobre a cultura de culpabilização da vítima que ainda persiste na sociedade. A promotora assistente, Nicole Blumberg, contra-argumentou, afirmando que relações consensuais não excluem a possibilidade de estupro.

Ela enfatizou que qualquer pessoa tem o direito de dizer não, independentemente da situação. O novo julgamento foi resultado da anulação da condenação anterior de Weinstein pela Corte de Apelações de Nova York, que considerou que os promotores não deveriam ter permitido que testemunhas cujas alegações não faziam parte das acusações fossem ouvidas. Essa decisão judicial destaca a importância de um processo justo e a necessidade de garantir que todos os aspectos do caso sejam considerados de maneira adequada.

Desde 2017, mais de 100 mulheres acusaram Weinstein de má conduta sexual. Após o impasse do júri, Mann expressou sua frustração, afirmando que expor seu trauma e vergonha foi um custo alto para sua privacidade e segurança. Ela declarou: “Ainda assim, eu me levantei e disse a verdade.

De novo e de novo. ” Essa declaração reflete a coragem necessária para que as vítimas falem sobre suas experiências, muitas vezes em face de intensa pressão e escrutínio público. Weinstein ainda enfrenta uma pena de 16 anos de prisão na Califórnia, onde foi considerado culpado de estupro, e está recorrendo dessa condenação.

O futuro do caso em Nova York agora depende da decisão dos promotores, que têm um mês para determinar os próximos passos. A situação de Weinstein continua a ser um ponto focal nas discussões sobre justiça, responsabilidade e a luta contra a impunidade em casos de agressão sexual.

Tags: Harvey Weinstein, Julgamento, Estupro, NovaYork, Jessica Mann Fonte: rollingstone.com.br