O grupo Prerrogativas e o deputado federal Rogério Correia (PT-MG), vice-líder do governo na Câmara, protocolaram uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitando a abertura de uma investigação sobre o financiamento do filme "Dark Horse", que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro. O longa-metragem, que está previsto para estrear em setembro, um mês antes das eleições presidenciais, teria recebido R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, após um pedido feito pelo senador Flávio Bolsonaro. Na representação, Correia e os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida argumentam que o filme pode ser considerado uma "peça de comunicação política de enorme impacto", configurando propaganda eleitoral financiada com recursos de origem suspeita.
Os autores da ação sustentam que existem indícios de triangulação internacional, possível caixa dois, lavagem de dinheiro e doação empresarial indireta. Essa alegação é particularmente grave, pois sugere que o financiamento do filme pode estar vinculado a práticas ilegais que comprometem a integridade do processo eleitoral. A ação também levanta questões sobre quem realmente recebeu os recursos enviados por Vorcaro para a produção do filme.
Além da investigação, os autores pedem que o TSE proíba cautelarmente a exibição, distribuição, publicidade e impulsionamento do filme durante o período eleitoral de 2026. A solicitação inclui a preservação de contratos, mensagens, relatórios financeiros e documentos relacionados ao projeto, além do envio de informações à Procuradoria-Geral da República, Polícia Federal, COAF, Banco Central e Receita Federal. Essa medida é vista como uma tentativa de garantir que todas as informações relevantes sejam mantidas e analisadas durante a investigação.
Essa ofensiva jurídica ocorre após o site The Intercept Brasil divulgar mensagens e áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro, que mostram conversas com Daniel Vorcaro sobre o financiamento do filme. A divulgação do material gerou uma crise interna no Partido Liberal, levando a legenda a convocar uma reunião com o senador e parlamentares da bancada para discutir o desgaste político causado pelo caso. A situação é delicada, pois o Partido Liberal, que tem uma base significativa de apoio, enfrenta um desafio em manter a confiança de seus eleitores diante de alegações tão sérias.
A pesquisa mais recente da AtlasIntel, divulgada nesta terça-feira, indica que a repercussão do caso foi majoritariamente negativa para Flávio Bolsonaro. De acordo com o levantamento, 95,6% dos entrevistados afirmaram ter tomado conhecimento das mensagens vazadas, e entre eles, 93,9% disseram ter ouvido os áudios. Para 64,1% dos entrevistados, a divulgação das conversas enfraqueceu a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, sendo que 45,1% avaliam que ela foi "muito enfraquecida" e 19% acreditam que houve um enfraquecimento parcial.
Esses números refletem um cenário preocupante para a campanha do senador, que já enfrenta desafios significativos em um ambiente político polarizado. O impacto da situação também se reflete na disposição de voto. Entre os entrevistados, 18,1% afirmaram que estão menos propensos a votar em Flávio após o caso, enquanto 18,8% disseram estar mais dispostos a apoiá-lo.
Outros 47,1% afirmaram que já não votariam nele de qualquer forma, e 21% disseram que o episódio não alterou sua decisão eleitoral. Esses dados indicam que a crise pode ter um efeito duradouro na percepção pública sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro. O conjunto de fatos apresentado na ação revela uma possível engrenagem de financiamento político paralelo, envolvendo agentes políticos, um banqueiro investigado, uma estrutura empresarial estrangeira, fundos no exterior, contratos privados e valores milionários, além de uma obra que exalta a figura política de Jair Bolsonaro e será lançada em um período eleitoral crítico.
A situação levanta questões importantes sobre a ética e a legalidade do financiamento de produções artísticas que possam influenciar o cenário eleitoral. O desenrolar dessa investigação poderá ter implicações significativas para as candidaturas e para a percepção pública sobre a integridade do processo eleitoral no Brasil. A sociedade civil e os órgãos de fiscalização devem acompanhar de perto os desdobramentos desse caso, que pode redefinir as regras do jogo político no país.