Lula recusa tentativa de Motta de abrir canal para governo resgatar BRB

Por Autor Redação TNRedação TN

Lula recusa tentativa de Motta de abrir canal para governo resgatar BRB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou sua decisão de não autorizar qualquer ajuda do governo federal para salvar o Banco de Brasília (BRB), mesmo diante das tentativas de lideranças do centrão para abrir um canal de diálogo com a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP). A governadora, que se posiciona como oposição ao governo federal, solicitou ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que intermediasse uma agenda com Lula, mas o presidente não a recebeu e deixou claro que não pretende oferecer resgate federal ao banco. Nos últimos dias, relatos indicaram que Motta, que é amigo de Celina e participou de eventos ao lado dela, tentou agendar um encontro com Lula através de seus auxiliares, mas sem sucesso.

Aliados de Motta já começam a considerar que a ajuda do Tesouro para o BRB não será concretizada. A situação do banco é crítica, especialmente após o descumprimento do prazo legal de 31 de março para a publicação de suas demonstrações financeiras de 2025, o que levantou preocupações sobre sua saúde financeira. O BRB enfrenta um momento delicado, tendo alegado a necessidade de concluir uma auditoria forense após perdas significativas em operações com o Banco Master.

Essa situação deixou o mercado sem uma visão clara do tamanho do rombo financeiro da instituição. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à presidência, também está envolvido em um escândalo relacionado ao caso "Dark Horse", que envolve o dono do Banco Master. Essa conexão tem levado Lula a ser aconselhado a se distanciar ainda mais do BRB.

A avaliação de Lula e de seus assessores é de que não deve haver ajuda ao BRB, mesmo com a movimentação do centrão, que conta com o apoio do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT). O ministro, que é próximo do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou em sua primeira coletiva que é contrário a qualquer socorro do governo Lula ao banco. O BRB tem até o dia 29 deste mês para realizar um aporte de capital e publicar seu balanço, que deve incluir o registro de prejuízos decorrentes da compra de carteiras de crédito fraudulentas e ativos superavaliados.

A falta de sinalizações oficiais por parte da administração do banco até o momento tem gerado incertezas sobre sua capacidade de recuperação. Além disso, o BRB enfrenta sérios problemas de liquidez e tem vendido ativos, mas essas operações têm sido insuficientes para equilibrar sua situação financeira. Até agora, o banco espera receber R$ 3 bilhões de um fundo de investimentos gerido pela Quadra Capital, referente à venda de ativos originados no Banco Master.

Até o momento, já foram recebidos R$ 1,2 bilhão desse fundo. O presidente do BRB, Nelson Souza, garantiu a interlocutores que o aumento de capital será realizado dentro do prazo estipulado. Uma operação com novos instrumentos de garantia para empréstimos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e um consórcio de grandes bancos está sendo organizada, além da securitização de dívida ativa.

No entanto, especialistas do setor bancário acreditam que, mesmo que o BRB consiga resolver seus problemas financeiros no curto prazo, a instituição pode não evitar uma intervenção do Banco Central devido ao tamanho do rombo financeiro, que pode ser maior do que o especulado. Recentemente, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal decidiu encerrar o contrato com o BRB, o que representa uma perda significativa de recursos para o banco, que dependia dos depósitos judiciais do tribunal. A nova direção dos depósitos judiciais foi transferida para a Caixa Econômica Federal, que já sinalizou que não poderá socorrer o BRB.

O clima entre os funcionários do banco é de desalento, com muitos lamentando a falta de apoio do sindicato dos bancários, que representa cerca de cinco mil servidores. A bancada do DF no Congresso, liderada pela deputada federal Érika Kokay (PT-DF), expressou sua intenção de salvar o BRB, mas deixou claro que não aceitará que a responsabilidade pela situação do banco seja transferida para o governo Lula. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a situação do BRB está sendo monitorada diariamente e que as medidas a serem tomadas não dependem da apresentação do balanço até o final do mês, uma vez que o prazo legal já foi descumprido.

A expectativa é de que o governo federal e as autoridades monetárias encontrem uma solução para evitar mais uma quebra de banco no país.

Tags: Lula, BRB, Banco de Brasília, Governo Federal, Celina Leão, Hugo Motta Fonte: jornaldebrasilia.com.br