O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reafirmou seu desejo de reverter a privatização da Eletrobras e torná-la novamente uma empresa estatal. Durante uma cerimônia de anúncio de investimentos da Petrobras em Sergipe, realizada nesta sexta-feira (29), Lula expressou suas frustrações com as condições impostas pela privatização, que ocorreu no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Lula destacou que o processo de privatização da Eletrobras foi "canalha", mencionando que as regras estabelecidas dificultam a recompra da empresa pelo governo.
"Eu ainda sonho em trazer a Eletrobras como empresa pública. Mas a privatização da Eletrobras foi tão canalha que, na privatização, disseram que a gente só pode comprar não sei quanto tempo depois e que, se for o governo, é três vezes mais caro", afirmou o presidente. Além da Eletrobras, Lula também criticou a privatização da BR Distribuidora, ressaltando que ambas as operações foram realizadas durante a administração de Bolsonaro.
O presidente não se limitou a criticar apenas essas privatizações, mas também fez menção a outros casos, como a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que teve sua privatização concluída em 2024. Ele insinuou que existem "gestores" que desmontam empresas públicas para favorecer interesses privados, o que ele chamou de "entreguismo". A fala de Lula reflete uma continuidade de sua agenda política, que busca reverter algumas das privatizações realizadas nos últimos anos e fortalecer o papel do Estado na economia.
O presidente tem enfatizado a importância de empresas estatais para garantir a soberania e o desenvolvimento econômico do país. A Eletrobras, que é a maior empresa de energia elétrica da América Latina, foi privatizada em 2021, e a operação foi amplamente criticada por setores da sociedade que defendem a manutenção do controle estatal sobre recursos estratégicos. A privatização foi vista como uma medida que poderia comprometer a segurança energética do Brasil e aumentar os custos para os consumidores.
Lula, que já havia manifestado seu desejo de reverter a privatização em outras ocasiões, agora parece mais determinado a buscar alternativas para trazer a Eletrobras de volta ao controle estatal. A questão da energia elétrica é um tema sensível no Brasil, especialmente em um contexto de crise hídrica e aumento das tarifas de energia. O presidente também comentou sobre a necessidade de uma gestão competente na Petrobras, ressaltando que a presidente da estatal, Magda Chambriard, deve conduzir a empresa com responsabilidade, já que qualquer erro pode refletir diretamente em sua administração.
"Jamais vou interferir na atividade de uma empresa que tem ações na Bolsa de Nova York e tem uma mulher competente e uma diretoria competente. Mas ela tem que saber que, se der certo, é maravilhoso para a Petrobras, se der errado, é na bunda do presidente que as coisas arrebentam", disse Lula, em tom de brincadeira. A declaração de Lula sobre a Eletrobras e suas críticas às privatizações refletem um cenário político em que a discussão sobre o papel do Estado na economia continua a ser um tema central.
O governo atual busca reafirmar a importância das estatais em um momento em que o Brasil enfrenta desafios econômicos significativos, incluindo inflação e crescimento lento. A expectativa é que o governo apresente propostas concretas para a reestatização da Eletrobras e outras empresas, o que poderá gerar debates acalorados no Congresso e entre os setores da sociedade que defendem a privatização como uma solução para a eficiência econômica. A posição de Lula pode também influenciar as próximas eleições e a formação de alianças políticas em torno de sua agenda econômica.