Nem Lula nem Flávio, quem vai ganhar o debate sobre facções terroristas são os marqueteiros

Por Autor Redação TNRedação TN

Nem Lula nem Flávio, quem vai ganhar o debate sobre facções terroristas são os marqueteiros

O debate sobre facções terroristas no Brasil, especialmente após a recente decisão do governo americano de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, não será dominado por figuras políticas como Lula ou Flávio Bolsonaro. Em vez disso, a vitória nesse debate será decidida pelos marqueteiros, que têm a capacidade de moldar narrativas que ressoam com o eleitorado. A violência se tornou uma questão central nas eleições, e a forma como as mensagens são comunicadas pode ser mais influente do que as discussões políticas complexas.

No Morro do Alemão, a Dona Edcléia expressou sua ambivalência em relação à polícia. Ela aplaudiu uma operação que resultou em mais de cem mortes, afirmando que "tem que ser duro com bandido mesmo". No entanto, na semana seguinte, ela ficou indignada ao ver seu filho de 16 anos sendo parado pela polícia, enquanto um estudante de medicina do bairro vizinho passava sem ser incomodado.

"Essa polícia só atrapalha a vida dos pobres", reclamou. Essa contradição não é um defeito do eleitor, mas sim uma expressão da complexidade das expectativas em relação ao Estado, que deve ser igual para todos, independentemente de classe social. Pesquisas realizadas pelo Instituto Locomotiva mostram que a violência está se tornando uma pauta eleitoral cada vez mais relevante.

O eleitor brasileiro, muitas vezes, carrega uma visão contraditória sobre segurança e justiça. A narrativa que melhor capturar essa dualidade e oferecer soluções práticas e claras será a que prevalecerá nas eleições de 2026. A estratégia de comunicação é crucial.

A direita já tem suas mensagens prontas, como a afirmação de que "enquanto Lula falava em soberania, Flávio resolveu na Casa Branca o que o Planalto não resolveu em 17 anos". Essa mensagem é direta e fácil de entender, o que pode torná-la mais eficaz nas redes sociais. Por outro lado, a esquerda ainda está tentando encontrar uma narrativa que ressoe com o eleitorado, como a crítica à ingerência estrangeira.

A questão central que os marqueteiros precisam responder é: se for para entregar o controle do país, quem garante que isso resultará em segurança? O eleitor pragmático quer saber quem está realmente comprometido em resolver o problema da violência, e a campanha que conseguir responder a essa pergunta de forma convincente terá uma vantagem significativa. Além disso, a forma como as campanhas se utilizam das redes sociais e das novas plataformas de comunicação será determinante.

O eleitor está cada vez mais exposto a conteúdos curtos e impactantes, como vídeos de trinta segundos que podem se tornar virais. A capacidade de criar um conteúdo que se destaque entre as inúmeras postagens diárias será um fator decisivo para o sucesso eleitoral. A eleição de 2026 não será decidida apenas nas pesquisas de opinião, mas sim nos estúdios de gravação e nas redes sociais.

Ganha quem conseguir contar a melhor história, e nessa guerra de narrativas, o roteirista pode valer mais do que o herói. Portanto, a habilidade de comunicar de forma eficaz e ressoante com o eleitor será a chave para a vitória nas próximas eleições. O futuro político do Brasil pode muito bem depender de quem contar a melhor história sobre a segurança e a justiça social.

Assim, a narrativa sobre facções terroristas no Brasil será decidida por marqueteiros, não por políticos. A comunicação eficaz é crucial para ressoar com o eleitorado, e a capacidade de contar histórias impactantes será decisiva nas eleições de 2026.

Tags: facções terroristas, Eleições 2026, marqueteiros, Lula, Flávio Bolsonaro, Violência, Narrativa, Comunicação Fonte: oglobo.globo.com