O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcará nesta terça-feira no Rio de Janeiro para um encontro com o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom. O petista o acompanhará na visita ao Hospital Federal do Andaraí, que integra a passagem do chefe da OMS pelo Brasil durante a 26ª Conferência Internacional sobre Aids, realizada na capital fluminense entre os dias 26 e 31 de julho. Este encontro ocorre em um momento delicado, marcado por tensões nas relações entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a poucos meses das eleições presidenciais, nas quais o petista terá Flávio Bolsonaro como seu principal adversário.
Durante a pandemia de Covid-19, Tedros Adhanom foi alvo de críticas e comportamentos negacionistas tanto de Trump quanto do ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente norte-americano chegou a acusar a OMS de encobrir informações sobre a pandemia e de ter uma postura excessivamente favorável à China no início da crise sanitária. Em resposta, Tedros defendeu o trabalho da OMS e reiterou a importância de não politizar a pandemia.
O governo Trump chegou a suspender o repasse de recursos financeiros à organização, uma decisão que gerou repercussões significativas na saúde global. No início deste ano, a Casa Branca confirmou a saída dos Estados Unidos da OMS, seguindo a orientação de Trump, que expressou insatisfação com a suposta falta de independência e a gestão da entidade durante emergências de saúde global. Por sua vez, Jair Bolsonaro adotou uma postura que gerou atritos com a OMS, criticando e descumprindo orientações de distanciamento social, lockdowns e uso de máscaras.
Além disso, promoveu o uso de medicamentos sem comprovação científica contra a Covid-19 e minimizou a gravidade da doença, classificando-a como uma "gripezinha" e questionando dados oficiais de mortalidade. A visita de Tedros ao Brasil, especialmente em um contexto eleitoral e de tensões diplomáticas, levanta questões sobre a importância da cooperação internacional em saúde pública e a necessidade de um diálogo construtivo entre líderes globais. A OMS, sob a liderança de Tedros, tem buscado reforçar a importância da ciência e da colaboração internacional no enfrentamento de crises de saúde, um tema que se torna ainda mais relevante em tempos de polarização política.
O encontro entre Lula e Tedros pode ser visto como uma tentativa de restabelecer laços e promover uma agenda de saúde pública que priorize a ciência e a colaboração internacional, em contraste com as abordagens anteriores que priorizavam a política sobre a saúde. A presença de Tedros no Brasil durante a Conferência Internacional sobre Aids também destaca a relevância contínua das discussões sobre saúde pública, especialmente em um momento em que o mundo ainda enfrenta os efeitos da pandemia de Covid-19. A relação entre Brasil e OMS é crucial, especialmente considerando o papel do Brasil na saúde global e a necessidade de um compromisso renovado com a saúde pública.
O encontro de Lula com Tedros pode ser um passo importante nesse sentido, sinalizando uma mudança na abordagem do Brasil em relação à saúde global e à cooperação internacional. Em suma, a visita de Tedros Adhanom ao Brasil e o encontro com Lula representam uma oportunidade para discutir não apenas a resposta à pandemia de Covid-19, mas também a importância de uma abordagem colaborativa e baseada em evidências para enfrentar os desafios de saúde pública que o mundo enfrenta atualmente. A expectativa é que essa reunião possa abrir portas para um diálogo mais construtivo e uma cooperação mais eficaz entre o Brasil e a OMS, em benefício da saúde global.