Mentor de arma 3D preso por agressão ao pai em investigação policial

Por Autor Redação TNRedação TN

[Operação prende mentor de arma impressa em 3D]. Reprodução: G1

Mentor de arma 3D preso por agressão ao pai em investigação policial

Lucas Alexandre Flaneto Queiroz, conhecido como Zé Carioca, foi preso durante uma operação da Polícia Civil, acusado de ser o mentor de a produção de armas com impressoras 3D. A prisão ocorre em meio a uma investigação sobre a comercialização ilegal de armamento, que levou à revelação de sua agressão contra o próprio pai, um cadeirante.

Segundo relatos do pai, Lucas o agrediu após ser questionado sobre suas atividades ilegais. O procurador-geral de Justiça do Rio, Antônio José Campos Moreira, afirmou que Lucas fazia parte de um grupo que oferecia um projeto digital para que qualquer pessoa pudesse produzir armas de fogo em casa usando impressoras 3D.

Em um boletim de ocorrência registrado em 2023, foi informado que Lucas desferiu socos, empurrões e chutes em seu pai devido a desobediências. A ocorrência foi registrada na residência da família, uma vez que o estado de saúde do idoso, que se recuperava de uma cirurgia, o impedia de ir até uma delegacia.

A investigação teve início após denúncias que levaram à Operação Shadowgun. Essa operação identificou que Lucas utilizava uma impressora 3D para produzir partes de armas, como carregadores, que depois seriam comercializados em plataformas online. O procurador destacou que mais de 100 vendas foram mapeadas, além de um curso que Lucas oferecia para ensinar os interessados a montarem suas próprias armas.

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"Não são fábricas, são pessoas que idealizaram um projeto digital e passaram a comercializar armas fabricadas e o projeto, oferecendo inclusive um tutorial e acompanhamento técnico," disse o procurador.

O procurador-geral ressaltou que a facilidade de produção de armas a partir destes projetos digitais amplia o risco de disseminação de armamento, permitindo que indivíduos com acesso à tecnologia possam fabricar armas de fogo. Isso é preocupante, especialmente considerando que esses projetos utilizam polímeros de alta resistência com a tecnologia de impressão tridimensional.

A apuração também revelou que 79 compradores em todo o Brasil estavam associados à produção de armas, incluindo pessoas com antecedentes criminais, como tráfico de drogas, homicídio e porte ilegal de armas. No Rio de Janeiro, 10 desses compradores foram identificados, abrangendo a capital e outras regiões.

Facilidade de fabricação de armas fantasmas

As investigações alertaram sobre a produção de "armas fantasmas", que podem ser facilmente fabricadas em casa com equipamentos simples. Um modelo específico investigado, a carabina Urutau, foi desenvolvido por Lucas e pode ser completamente produzido por impressoras 3D, utilizando conhecimentos básicos de engenharia. Essa carabina pode ser fabricada sem a necessidade de peças regulamentadas.

Outra preocupação levantada durante a coletiva foi a potencial radicalização e atração deste tipo de armamento por grupos terroristas. O procurador informou que a facilidade de produção de armas pode encorajar jovens e outras pessoas a fazer e portar armamento com base na ideia de que esse é um direito individual.

"Essa facilidade na produção e circulação de armas de fogo desenvolvidas a partir de um simples projeto digital é extremamente preocupante em um contexto de polarização e radicalismo social," alertou Antônio Campos Moreira.

A produção de armas com impressoras 3D representa um desafio significativo para as autoridades, que esforçam-se para controlar a fabricação e circulação de armamento não rastreável. As investigações continuam, enquanto os envolvidos no esquema serão responsabilizados por organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas.

Tags: Armas 3D, Crime Rio de Janeiro, Investigações Policiais, tecnologia, Segurança Pública Fonte: g1.globo.com