Julgamento de Caso Henry Borel é marcado por estratégias de defesa

Por Autor Redação TNRedação TN

Defesas de Jairinho e Monique no caso Henry Borel, com foco em provas contestadas e pressão sobre testemunhas. Reprodução: G1

As Estratégias das Defesas no Julgamento de Henry Borel

A defesa de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, concentra seus esforços na contestação de provas periciais e na alegação de falta de acesso a certos elementos da investigação, visando absolver o réu acusado de lesões que resultaram na morte de Henry Borel. Os advogados de Jairinho argumentam que ele é uma vítima de narrativas preconcebidas e de uma suposta perseguição que visa incriminá-lo.

Por outro lado, a defesa de Monique Medeiros busca demonstrar no Tribunal do Júri que ela não tinha conhecimento sobre as agressões que seu filho sofrera e que vivia sob uma rotina de violência emocional nas mãos de Jairinho, a quem acusa de ser o responsável pela morte de Henry. A defesa ressalta que Monique enfrenta um estado mental de fragilidade, especialmente com a proximidade do julgamento, e tenta provar aos jurados que Jairinho não apenas cometeu o crime, mas também teria atuado para intimidar testemunhas no decorrer do processo.

Diferentes estratégias foram elaboradas pelas defesas no julgamento do caso, que teve início em 23 de outubro. A defesa de Jairinho foca na contestação dos laudos periciais que, segundo eles, apresentam contradições, e na falta de acesso a provas que poderiam ser cruciais para a defesa. Um exemplo é a alegação de que não foi possível acessar o notebook de Leniel Borel, que, segundo os advogados de Jairinho, poderia conter informações relevantes para seu caso.

A juíza responsável pelo caso, Elizabeth Machado Louro, autorizou o acesso ao equipamento, que estava sob a custódia do Instituto de Criminalística Carlos Éboli. Entretanto, a defesa alegou não ter recebido o material a tempo para preparar uma defesa sólida. "Como a gente não recebeu o conteúdo dos documentos, fica inviabilizado o julgamento. É uma situação delicada", comentou o advogado Rodrigo Faucz.

Luís Fernando Abidu Figueiredo Santos, filho de Jairinho e advogado de sua defesa, tem estado ao lado do pai, visitando-o diariamente no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8. A defesa também avalia a possibilidade de realizar uma visita ao apartamento onde Henry morreu, permitindo que os jurados visualizem a disposição dos cômodos e as distâncias entre eles, como parte da estratégia de defesa.

A defesa de Jairinho insiste que os laudos periciais foram manipulados, apresentando mensagens obtidas por meio do aplicativo israelense Cellebrite que, segundo os advogados, demonstram que houve uma comunicação entre o perito e a então chefe do Instituto Médico-Legal (IML) do Rio, antes da finalização de um laudo, o que geraria um viés no documento. "Se esses laudos forem utilizados no júri, acarretará a nulidade do julgamento, gerando grande custo público", disse o advogado. Esses argumentos encapsulam a relutância da defesa em aceitar os laudos como evidência válida.

Os advogados de defesa argumentam que a criança não morreu devido a agressões, levantando a hipótese de que a morte pode ter ocorrido devido a manobras de ressuscitação no hospital. Durante as audiências, a pedagogia Monique Medeiros, mãe de Henry, que está presa no Presídio Talavera Bruce, tem enfrentado a pressão do julgamento, um processo que ela própria não quis que fosse conduzido sem sua supervisão direta.

Com a proximidade do julgamento, Monique se encontra em uma situação emocional frágil, revivendo a dor da perda de seu filho enquanto se vê na posição de enfrentar o homem acusado de sua morte. Seus advogados buscam comprovar que ela não falhou no dever de proteger Henry e que Jairinho e a babá desempenharam papéis essenciais no trágico desfecho que levou à morte do garoto.

A babá, convocada como testemunha, apresentou versões contraditórias sobre o fato e, segundo a defesa de Monique, teria sido coagida por Jairinho a mentir, não revelando episódios anteriores de agressão. “A babá deveria ter respondido por tortura, porque ela estava presente nos três episódios”, argumentou a advogada Florence Rosa, ressaltando a complexidade e as sutilezas das relações envolvidas no caso.

Os desdobramentos do caso de Henry Borel refletem uma trama envolta em dor, traição e a luta pela verdade em meio ao sistema de justiça. O julgamento promete trazer à tona essas narrativas complexas, colocando em evidência não apenas os acusados, mas a fragilidade das circunstâncias que levaram a uma das tragédias mais comentadas do Brasil nos últimos anos.

Tags: Caso Henry Borel, Jairinho, Monique Medeiros, Julgamento, Direito Penal Fonte: g1.globo.com