Irregularidades em contratos de crédito do Banco Master expostas

Por Autor Redação TNRedação TN

[Executivos assinam contratos de R$ 6,3 bilhões entre Master e Tirreno, antes de encaminhamento ao BRB.]. Reprodução: G1

Irregularidades em contratos de crédito do Banco Master expostas

Uma investigação reveladora pelo Banco Regional de Brasília (BRB) destacou fraudes em contratos de operação de crédito entre o Banco Master e a Tirreno. Os contratos, que totalizavam R$ 6,3 bilhões, foram firmados com reconhecimento de firma apenas dois dias antes de serem apresentados ao BRB, levantando suspeitas sobre a autenticidade e a legalidade das transações.

Essas carteiras de crédito, que foram adquiridas pelo Banco Master e repassadas ao BRB por R$ 11,5 bilhões, foram consideradas pela Polícia Federal (PF) como "podres", ou seja, sem lastro financeiro. O relatório, elaborado por um grupo de trabalho do BRB e finalizado em maio de 2025, documenta a compra de ativos sem valor real, o que configura um esquema de movimentos financeiros irregulares entre as instituições.

As investigações revelam que, em 5 de maio de 2025, o Master enviou uma pasta com contratos ao BRB. No dia seguinte, o BRB solicitou cópias dos contratos devidamente registrados em cartório, agendando uma reunião para o dia 9 de maio. Contudo, o Master pediu o reagendamento para 13 de maio, onde as assinaturas nos contratos foram inseridas apenas no dia 13, contrapondo a dinâmica de negócios esperada em otimizados processos de compra e venda de crédito.

Visitas técnicas reveladoras

A situação se complicou ainda mais quando, durante visitas técnicas nos dias 29 e 30 de abril de 2025, a equipe do BRB descobriu que as carteiras de crédito tinham a Tirreno como origem e não o Banco Master, como previamente informado. OBRB havia adquirido, até então, cerca de R$ 12 bilhões em carteiras que não pertenciam ao Master, além de não terem garantias financeiras adequadas.

O modus operandi do Banco Master incluía a compra de créditos da Tirreno para posterior revenda ao BRB. Desta forma, dúvidas foram levantadas sobre a capacidade do Banco Master de honrar com os títulos que emitiu, especialmente considerando o relatório da PF que indicava que o banco não tinha liquidez suficiente.

A rapidez com que as operações eram realizadas também chamou a atenção; o Master comprava os créditos e imediatamente, no próximo dia, repassava ao BRB. Tal prática, embora possa ser vista como uma estratégia operacional, provocou questionamentos sobre a conformidade dos documentos e a real transferência de risco entre as partes envolvidas.

Além disso, em uma operação reveladora, o Banco Master adquiriu R$ 143,6 milhões da Tirreno na terça-feira de Carnaval e fez o repasse ao BRB, cujo valor foi elevado para R$ 251,2 milhões na Quarta-feira de Cinzas. Essas transações não só evidenciam a velocidade das operações, mas também apontam um padrão suspeito de manipulação dos valores envolvidos.

O desfecho dessa crise financeira pode impactar profundamente o mercado e as políticas bancárias no Brasil, uma vez que as interações entre as instituições levantarão questões sobre a regulamentação e supervisão do sistema financeiro nacional.

A sociedade aguarda desdobramentos e esclarecimentos sobre a real extensão desta rede de transações fraudulentas, que envolvem aposentados e pensionistas, além de abalar a confiança em instituições financeiras brasileiras.

Tags: Banco Master, Tirreno, Investigações da PF, Crédito Consignado, Corrupção financeira Fonte: g1.globo.com