Transplante de medula no DF: Pacientes enfrentam filas e dificuldades

Por Autor Redação TNRedação TN

Pacientes aguardam transplante de medula no DF.. Reprodução: G1

Transplante de Medula no DF: Pacientes Enfrentam Filas e Dificuldades

A realidade do transplante de medula óssea no Distrito Federal é preocupante. Dados do Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) apontam que 667 pacientes aguardam uma doação, mas, para a maioria, as opções na rede pública são inexistentes. Em um cenário em que 587 pacientes não conseguem realizar o transplante pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na capital, as soluções se tornam limitadas.

Atualmente, o DF não possui nenhum hospital público credenciado para realizar o procedimento, que é vital para inúmeras pessoas diagnosticadas com doenças como leucemia. Embora o Hospital da Criança de Brasília José Alencar esteja credenciado, a instituição só realiza transplantes em pacientes que tenham até 18 anos, o que limita a ajuda a apenas 80 crianças na fila do Redome.

Na rede privada, existem algumas alternativas, como o Hospital Santa Luzia, Hospital Sírio-Libanês, Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal (ICTDF), Hospital DF Star e Hospital Brasília. Contudo, esses serviços são acessíveis apenas para quem pode arcar com os altos custos ou possui plano de saúde.

Deslocamento e Auxílio do Governo

Pacientes que dependem do SUS enfrentam um dilema: deslocar-se para outra unidade da Federação para realizar o transplante. Neste caso, o governo do DF oferece uma ajuda de custo, porém, segundo relatos, esse auxílio frequentemente não é suficiente para cobrir nem metade das despesas associadas ao tratamento.

Após a escolha do centro transplantador, os pacientes devem passar pelo Tratamento Fora de Domicílio (TFD), que segue os fluxos assistenciais do Sistema Nacional de Transplantes. Contudo, a Secretaria de Saúde do DF não consegue explicar a ausência de hospitais públicos habilitados para esse tipo de procedimento há anos.

História de Pacientes

A situação é ainda mais crítica para pessoas como Rita de Cássia, de 54 anos, que foi diagnosticada com leucemia em 2022. Sem alternativas disponíveis no DF, ela teve que viajar até Jaú, interior de São Paulo, para realizar seu transplante de medula óssea após dois anos de espera. Rita já havia iniciado um ciclo de quimioterapia no DF antes de ser informada sobre a necessidade do procedimento, o que acarreta em custos altos e a ausência de uma rede de apoio próxima durante a recuperação.

Realidade do Transplante de Medula no Brasil

Embora o Ministério da Saúde afirme não haver restrições federais para que o DF volte a realizar o transplante de medula óssea, a responsabilidade pela habilitação dos serviços cabe às autoridades locais. Esses serviços devem seguir critérios rigorosos, como a disponibilidade de estrutura adequada e a capacitação das equipes médicas.

Atualmente, 14 estados brasileiros têm hospitais e institutos habilitados para realizar transplantes de medula, porém, o DF só disponibiliza o transplante autólogo - que utiliza as células do próprio paciente – e não o alogênico, necessário para muitos dos pacientes que estão à espera. A chefe da hematologia do Hospital Universitário de Brasília, Flávia Dias Xavier, destaca que as exigências para transplantes alogênicos são maiores, exigindo uma estrutura hospitalar adequada e cuidados pós-operatórios complexos.

Essa situação expõe uma falha significativa no sistema de saúde do DF, que precisa urgentemente de soluções para atender a essa demanda crescente e garantir que os pacientes tenham acesso ao tratamento que necessitam sem precisar se deslocar para outras regiões do país.

Tags: Transplante de Medula, Saúde Pública, Sistema Único de Saúde, DF Transplantes, Leucemia Fonte: g1.globo.com