Amado Batista e BYD na lista suja do trabalho escravo

Por Autor Redação TNRedação TN

Amado Batista e a BYD entram na lista suja do trabalho escravo; próximos passos. Reprodução: G1

Inclusão de Amado Batista e BYD na lista suja do trabalho escravo

A recente atualização da chamada lista suja do trabalho escravo gerou repercussão ao incluir no cadastro a renomada montadora de carros elétricos BYD e o popular cantor sertanejo Amado Batista. Esta lista, mantida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) desde 2004, tem como objetivo oferecer transparência e combater as irregularidades laborais que caracterizam o trabalho análogo à escravidão no Brasil.

O que é a lista suja?

A inclusão de nomes nesta lista não ocorre automaticamente e resulta de um processo que inclui a conclusão de etapas administrativas e uma decisão definitiva sem possibilidade de recurso. Geralmente, os registros permanecem na lista por dois anos, podendo ser removidos se não houver reincidência. Na atualização mais recente, realizada em abril de 2026, foram incluídos 169 novos empregadores, totalizando cerca de 613 nomeações na lista, e resultando no resgate de 2.247 trabalhadores em condições análogas à escravidão.

O caso de Amado Batista

Dentre os novos casos, o cantor Amado Batista teve suas propriedades, localizadas em Goianápolis (GO), apontadas por irregularidades. As autuações destacaram o Sítio Recanto da Mata, onde trabalhadores cultivavam milho, e o Sítio Esperança, focado na pecuária leiteira. Entre as condições adversas, foram encontrados trabalhadores sem registro, que relataram jornadas de até 16 horas diárias e falta de pagamento.

"Os trabalhadores pernoitavam em um galpão sem camas, dormindo sobre colchões no chão."

No Sítio Esperança, embora não haja resgate imediato, a análise subsequente revelou jornadas extenuantes que caracterizavam trabalho análogo à escravidão. A assessoria do cantor alegou que as informações sobre o resgate de trabalhadores eram falsas e que as irregularidades estavam ligadas a uma empresa terceirizada, a qual teria comprometido a situação. Mesmo assim, as irregularidades levaram à inclusão do nome de Amado Batista na lista.

O caso da BYD

A montadora BYD integrou a lista suja após uma fiscalização em dezembro de 2024, quando 220 trabalhadores chineses foram encontrados em situações desumanas durante a construção de uma de suas fábricas na Bahia. Os relatos incluíam condições de alojamento precárias, restrições de liberdade e jornadas de trabalho sem descanso.

"Os trabalhadores viviam amontoados em alojamentos sem condições mínimas de conforto e higiene."

A BYD atribuiu as irregularidades a uma empreiteira terceirizada, encerrando seu contrato com a empresa em questão. Apesar das alegações, o caso resultou em um acordo de R$ 40 milhões com o Ministério Público do Trabalho, marcando a inclusão da montadora na lista suja.

Consequências e fiscalização

As fiscalizações são realizadas por auditores-fiscais do trabalho, podendo envolver outros órgãos como o Ministério Público do Trabalho e a Polícia Federal. Quando identificadas condições análogas à escravidão, um auto de infração é lavrado, instaurando um processo administrativo onde o empregador pode se defender. Desde julho de 2024, uma nova portaria permite que empregadores se ajustem e evitem a inclusão na lista, assinando um Termo de Ajuste de Conduta.

Como denunciar

As denúncias de trabalho escravo podem ser feitas através do Sistema Ipê, criado para facilitar o registro de irregularidades sem necessidade de identificação do denunciante. O objetivo é garantir que a fiscalização atue de forma eficaz em casos de trabalho análogo à escravidão, promovendo a dignidade dos trabalhadores e a justiça social no Brasil.

Tags: Trabalho Escravo, Fiscalização Trabalhista, Amado Batista, BYD, Direitos Trabalhistas Fonte: g1.globo.com