Feminicídio: Autor de assassinato brutal é preso após anos foragido

Por Autor Redação TNRedação TN

[Homem condenado por matar ex-esposa com 72 facadas no Paraná, mesmo foragido]. Reprodução: G1

Marcos Panissa, condenado por assassinar sua ex-esposa, Fernanda Estruzani Panissa, em 1989, foi finalmente localizado e preso após mais de duas décadas foragido. O crime brutal, que chocou a sociedade brasileira, ocorreu no apartamento da vítima, situado no centro de Londrina, no norte do Paraná. Na época, Fernanda tinha apenas 21 anos e Marcos 23, e os dois estavam separados há mais de dois anos.

O crime foi motivado por ciúmes, conforme confessou o réu na época. Durante seu depoimento, Marcos revelou não aceitar o fim do relacionamento e o novo envolvimento da ex-esposa. Fernanda Estruzani foi morta com 72 facadas, um ato que classificou a situação como um verdadeiro feminicídio, embora a lei de feminicídio ainda não existisse na época do crime.

A promotora de acusação do caso, Susana Lacerda, expressou sua satisfação pela prisão de Panissa, considerando-a uma vitória. Ela ressaltou a dor da família da vítima, que sofreu muito com a brutalidade do crime e a impunidade que pairou por anos. "O réu acreditava na impunidade enquanto esteve foragido", comentou a promotora, sublinhando a gravidade da situação.

Antônio Carlos Andrade Viana, advogado de Panissa desde a década de 1990, declarou que revisitará a legalidade da prisão e avaliará a possibilidade de revisão da pena. Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, Viana reafirmou que, apesar de não pleitear a absolvição — já que o réu confessou o crime —, o devido processo legal precisa ser mantido.

Relembre o crime

O assassinato aconteceu em 6 de agosto de 1989, num ato de ciúme que culminou em uma tragédia. Marcos, que ficou fora da lei por anos, foi inicialmente condenado a 20 anos e 6 meses. Entretanto, sua defesa recorreu de forma bem-sucedida, o que resultou em um novo julgamento que o isentou de alguns anos na pena, mas que levou à sua fuga em 1995 após não se apresentar ao tribunal.

Como foram os julgamentos?

A trajetória legal de Panissa foi marcada por constantes reviravoltas. Em 2008, houve uma mudança na legislação que permitiu julgamento à revelia, o que culminou em sua condenação final a 19 anos e 6 meses em 2010. Embora a pena tenha sido imposta, Marcos permaneceu foragido, e sua prisão se tornava cada vez mais urgente devido à prescrição do crime, que poderia ocorrer até novembro de 2028.

Onde Panissa foi encontrado e preso?

Recentemente, a Polícia Federal brasileira conseguiu localizá-lo no Paraguai, onde ele tinha se estabelecido sob identidade falsa. Ele foi capturado em San Lorenzo, após uma longa investigação que resultou em sua entrega às autoridades brasileiras na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu. A operação de captura envolveu a colaboração da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad) e da Interpol.

Como era a vida de Panissa no Paraguai?

Detalhes da vida de Panissa no Paraguai indicam que ele levava uma existência discreta. Trabalhando no comércio de ferragens e vivendo com uma nova família, ele parecia ter conseguido se estabelecer de forma pacata, embora estivesse ocultando seu passado. Seu novo círculo social desconhecia completamente sua identidade verdadeira e os crimes pelos quais foi condenado. A polícia ressalta que, mesmo com toda a sua tentativa de viver em sigilo, a captura ocorreu quando ele foi abordado pelas autoridades enquanto dirigia um carro.

A prisão de Panissa marca um capítulo significativo na luta contra a impunidade para crimes de violência doméstica e feminicídio, refletindo não apenas a busca por justiça para as vítimas, mas também o comprometimento das autoridades em manter a lei.

Tags: Feminicídio, Justiça Brasileira, Crimes no Paraná, Marcos Panissa, Casos de Polícia Fonte: g1.globo.com