Líder de chacina no DF é condenado a 397 anos de prisão
Gideon Batista de Menezes, de 58 anos, foi condenado a 397 anos, 8 meses e 4 dias de prisão em um dos casos mais trágicos da história do Distrito Federal. O réu, apontado pelo Ministério Público como o mentor da chacina que resultou na morte de 10 pessoas da mesma família, ouviu a sentença na noite deste sábado (18), após seis dias de julgamento no Tribunal do Júri.
A condenação inclui uma série de crimes, como homicídios qualificados, extorsão mediante sequestro, ocultação de cadáver, roubo, associação criminosa e corrupção de menores. O juiz responsável, Taciano Vogado Rodrigues Junior, definiu as penas com base na participação de Gideon em cada crime.
Outros réus também receberam penas severas. Carlomam dos Santos Nogueira e Horácio Carlos Ferreira Barbosa foram condenados a mais de 300 anos de prisão. Fabrício Silva Canhedo foi sentenciado a 202 anos. Em contrapartida, Carlos Henrique Alves da Silva, apesar de condenado, deve ser liberado em breve, pois já cumpriu mais tempo do que a pena atribuída.
As investigações do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) revelaram que o grupo crime atuou de forma organizada, visando tomar posse de uma chácara na região do Paranoá, onde algumas das vítimas moravam. Os crimes ocorreram entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023.
A sentença foi proferida após um intenso processo de julgamento, que incluiu o depoimento de diversas testemunhas, entre elas delegados que participaram da investigação. Entre os depoimentos mais longos, destacou-se o do delegado Ricardo Viana, que chefiou a apuração do caso. Nas audiências, o advogado de defesa solicitou que algumas testemunhas fossem reouvidas, mas o pedido não foi acatado.
As penas para os réus foram definidas individualmente. Gideon, por exemplo, será encarcerado em regime fechado e terá que cumprir sua condenação na integralidade. A condenação foi baseada nas acusações de que o grupo tinha uma estrutura de divisão de tarefas para levar a cabo os crimes.
"Os cinco réus atuaram de forma conjunta, com divisão de tarefas, e a violência utilizada foi extrema,cusando a morte de várias pessoas sem piedade", afirmou o MPDFT.
A natureza dos crimes, a brutalidade e o número de vítimas fizeram dessa chacina uma das mais notórias do DF. A defesa dos réus pode ainda recorrer da decisão no Tribunal de Justiça, mas não conseguirão anular a sentença de forma imediata, dado que a Constituição Federal protege a soberania dos veredictos do júri.
As investigações apontam que o conflito pela posse da chácara, avaliada em cerca de R$ 2 milhões, foi um dos fatores que motivaram os crimes. É importante ressaltar que, reconhecendo a gravidade da situação, as autoridades do DF manifestaram um compromisso firme em combater a criminalidade organizada e impulsionar a segurança pública.
A continuidade do caso poderá trazer novas nuances à Justiça, dependendo das estratégias de defesa apresentadas pelos réus e de eventuais questionamentos sobre o processo judicial até aqui.