Mulheres que moldaram Brasília: legado e conquistas

Por Autor Redação TNRedação TN

Aniversário de Brasília: retrato de mulheres que ajudaram a construir a capital. Reprodução: G1

Aniversário de Brasília: a importância das mulheres na construção da capital

Em 21 de abril de 2026, Brasília completa 66 anos de fundação, uma cidade que simboliza a ousadia de Juscelino Kubitschek e a genialidade de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. No entanto, a história de sua construção muitas vezes omite os importantes papéis desempenhados por mulheres que, ao lado desses homens célebres, contribuíram de forma significativa para o desenvolvimento da capital do país.

Legado feminino em projetos arquitetônicos

Entre essas mulheres está Anna Maria Niemeyer, responsável pela criação de mobiliário que ainda adorna os salões do Palácio da Alvorada e demais instituições oficiais. Nascida em 1930, filha de Oscar Niemeyer, Anna Maria entrou para a Novacap como técnica em decoração, onde desempenhou um papel vital na curadoria de obras e na especificação de materiais para a produção dos móveis.

Outra figura importante foi Maria Elisa Costa, que, em 1959, se juntou à Novacap como arquiteta formada. Ela foi essencial na realização do projeto urbanístico que transformou Brasília numa cidade em forma de avião. Sua contribuição se estendeu ao desenvolvimento de projetos de espaços públicos que são usados diariamente pelos brasilienses.

Contribuições artísticas e acadêmicas

A franco-brasileira Marianne Peretti se destacou pelos vitrais e esculturas que enriquecem a Catedral de Brasília e outros prédios notáveis. Seu trabalho trouxe cor e vida aos ambientes públicos da capital, e suas criações são um testamento do talento feminino na arquitetura e no design.

Enquanto isso, a Universidade de Brasília serviu como porta de entrada para uma nova geração de mulheres arquitetas. Entre elas, Mayumi Watanabe, cuja contribuição inclui o famoso bloco H da Asa Norte, e Márcia Nogueira Batista, que se destacou no paisagismo do Zoológico de Brasília.

Histórias de superação e inovação

Outra mulher notável é Doramélia da Motta, responsável por um dos projetos mais singulares do Plano Piloto, a Babilônia Norte. Sua visão inovadora revolucionou a maneira como o comércio integra-se à vida residencial, desafiando as normas convencionais da época.

A pesquisadora Tânia Fontenele tem se dedicado a documentar as trajetórias dessas mulheres. Ela destaca como a contribuição delas foi crucial para formar a identidade visual e social de Brasília. “Elas foram muito, muito importantes para o desenvolvimento da cidade, para a história da cidade e no entanto pouco se falava das mulheres,” enfatiza Tânia.

Reconhecimento tardio e necessidade de valorização

Embora esses nomes renomados tenham sido muitas vezes esquecidos na narrativa oficial, elas representam uma parte significativa da história não contada de Brasília. A revalorização de suas contribuições se torna não apenas uma questão de justiça histórica, mas também uma fonte de inspiração para futuras gerações de mulheres na arquitetura e em outras áreas criativas.

O aniversário de 66 anos de Brasília nos convida a refletir não apenas sobre a grandeza de seus edifícios, mas também sobre as histórias das mulheres que ajudaram a erguê-los. Celebrar suas conquistas é essencial para compreender verdadeiramente a rica tapeçaria que forma a história da capital do Brasil.

Tags: Arquitetura Brasileira, História de Brasília, Mulheres na Arquitetura, Legado Feminino, Cultura Brasileira Fonte: g1.globo.com