Irmã de mulher executada por policial no Espírito Santo desabafa
Francisca das Chagas Dias Viana, irmã de Francisca Chaguiana, 31 anos, e cunhada de Daniele Toneto, 45, expressou sua revolta após o assassinato de sua irmã e de sua cunhada por um policial militar em Cariacica, na Grande Vitória. Segundo Francisca, a ação do cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale não apenas resultou na morte das duas mulheres, como também contou com a presença de outros policiais que não intervieram.
Em uma entrevista, Francisca desabafou que "ele (cabo do Vale) matou e ainda teve plateia". Ela afirmou que a atitude dos outros seis agentes que estavam no local do crime poderia ter salvado pelo menos uma das vidas. Ela teme pela impunidade e pelas consequências que esse ato deixa para a família.
O crime e suas repercussões
O crime aconteceu no dia 8 de abril e, segundo investigações, foi motivado por um desentendimento entre as vítimas e a ex-mulher do policial. Francisca das Chagas revelou que o medo tomou conta da sua família, aumentando o desejo de deixar o estado. "Eu quero que investiguem e que eles (policiais) pensem na dor que os familiares (das vítimas) estão sentindo", disse ela.
A irmã da vítima expressou sua dúvida sobre a possibilidade de justiça, afirmando: "O que mais dói é que eu não acredito que eles vão ser punidos". Ela citou que os policiais que deveriam proteger as pessoas estavam apenas assistindo, o que configura uma grave omissão de dever.
Contexto das vítimas
Francisca Chaguiana e Daniele Toneto eram um casal que sonhava em adotar uma criança e tinham um pequeno negócio criando e vendendo alimentos. Ambas estavam juntas há sete anos, sempre buscando uma vida melhor com seus esforços. "Estavam felizes, fazendo planos, trabalhando com o que gostavam", destacou Francisca das Chagas.
Francisca ressaltou que sua irmã tinha um grande amor pela culinária, tendo iniciado um curso de gastronomia para potencializar o negócio. O vínculo familiar era forte, com as duas cuidando até de crianças da família, especialmente no caso do filho autista de Francisca.
O acionamento da polícia
Menos de 20 minutos antes do assassinato, a vítima Francisca Chaguiana ligou para o 190, acionando a Polícia Militar. Ela acenou para os agentes quando a primeira viatura chegou, mas foi pouco tempo depois que o cabo Luiz Gustavo chegou ao local já armado.
Ao comentar sobre a resposta da polícia, Francisca das Chagas revelou que se sentiu traída: "Soube das mortes pela televisão", disse, referindo-se ao momento em que um amigo a alertou sobre a notícia, sem imaginar a gravidade do que havia acontecido.
Um clamor por justiça
Após o incidente, a Justiça determinou a prisão preventiva do cabo do Vale, e a Polícia Militar iniciou um processo de demissão para ele. "Já determinei a abertura do processo demissionário para o cabo do Vale, porque ele feriu a honra da instituição", declarou o comandante-geral, coronel Ríodo Lopes Rubim.
No entanto, a situação de impunidade e a falta de resposta por parte dos outros policiais presentes no momento da execução ainda deixam a família em uma busca desesperada por justiça. "A gente espera isso de um bandido, não de um policial", finalizou Francisca das Chagas, expressando sua angústia e medo pela segurança da família.
Mais sobre o caso
- O cabo do Vale teve um histórico de violência em sua carreira policial.
- Seis policiais presenciaram a execução e não agiram para impedir o crime.
- A comunidade se mobiliza em apoio à família das vítimas, exigindo ações efetivas das autoridades.