Uso da PrEP contra o HIV no DF cresce 300% em 2023
A profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) atingiu um aumento significativo de 300% no Distrito Federal desde 2023, superando a meta nacional estabelecida pelo Ministério da Saúde. A PrEP é uma estratégia preventiva eficaz que inclui a administração de medicamentos antirretrovirais por pessoas que não vivem com HIV, visando reduzir o risco de infecção em até 90% durante relações sexuais.
Segundo dados da Secretaria de Saúde do DF, até fevereiro de 2023, 7.646 pessoas iniciaram o uso da PrEP na capital. Esse avanço no número de usuários está diretamente relacionado à ampliação do acesso aos medicamentos preventivos, agora disponíveis em 26 unidades de saúde da rede pública do DF.
A meta nacional do Ministério da Saúde exige que cada estado mantenha ao menos três pessoas em uso da PrEP para cada novo caso de HIV diagnosticado. A realidade do Distrito Federal demonstra um comprometimento com essa meta, refletindo um progresso admirável na luta contra a epidemia.
Vicky Tavares, ativista e fundadora da ONG Vida Positiva, compartilha sua experiência ao longo de duas décadas na questão do HIV. Sua trajetória começou após a perda de um amigo querido em decorrência da Aids nos anos 90. "Foi na década de 90, muito difícil porque o HIV era uma sentença de morte", relembra Vicky. Hoje, ela vê um cenário transformado com o avanço dos tratamentos e da acessibilidade para as pessoas que necessitam.
A PrEP é descrita como um divisor de águas na prevenção do HIV. A médica Camila Damasceno, referência técnica em medicina da família, explica que a PrEP consiste no uso de medicamentos antirretrovirais antes da infecção, impedindo que o vírus se estabeleça no organismo. Esse tratamento é indicado para pessoas a partir dos 15 anos, que pesem no mínimo 35 kg, e que não tenham a infecção (HIV) ou doenças renais crônicas.
Desde 2018, os medicamentos começaram a ser oferecidos na rede pública do DF, primeiramente em hospitais de referência e policlínicas. Em 2024, houve uma expansão crítica aos acessos, permitindo que a PrEP fosse disponibilizada nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Atualmente, os medicamentos gratuitos estão acessíveis em várias regiões, incluindo Asa Sul, Asa Norte, e Ceilândia, entre outros locais.
Os medicamentos da PrEP são gratuitos e, segundo estudos, não causam efeitos colaterais graves. Em algumas situações, a proteção pode ocorrer em poucas horas após o início do uso, enquanto em outras, especialmente para mulheres e indivíduos que fazem uso de hormônios, a imunidade pode levar até sete dias para se estabelecer.
Apesar dos avanços significativos na prevenção do HIV, especialistas alertam que a PrEP não substitui outros cuidados essenciais, como o uso de preservativos e o diagnóstico regular para outras infecções sexualmente transmissíveis. O acompanhamento médico contínuo e a educação em saúde permanecem fundamentais para uma prevenção eficaz.