Chimarrão com maconha: a nova tendência medicinal no Brasil

Por Autor Redação TNRedação TN

Eduardo Suplicy compartilha bebida terapêutica durante visita ao RS. Reprodução: G1

Chimarrão com maconha: a nova tendência medicinal no Brasil

Recentemente, o deputado estadual de São Paulo, Eduardo Suplicy, chamou a atenção ao experimentar um chimarrão com maconha durante sua visita a Porto Alegre. A bebida foi oferecida por David Thomazi, presidente da Associação Flor da Cura, que atua na região das Missões, com o intuito de abrir um diálogo sobre o uso medicinal da cannabis.

A experiência despertou discussões nas redes sociais, não apenas pelo inusitado da combinação, que une uma tradição gaúcha a uma planta carregada de tabus, mas também pela relevância do tema debatido. Suplicy relatou que a qualidade do sono é crucial para sua saúde, especialmente no contexto de seu convívio com a doença de Parkinson. “Posso garantir que dormi muito bem”, afirmou o deputado ao comentar sobre a experiência do chimarrão com maconha.

O chimarrão, feito com uma cuia e uma bomba, não é apenas uma bebida, mas um símbolo cultural brasileiro. Thomazi explicou que a associação tem como missão utilizar essa tradição para abrir conversas sobre o uso medicinal da cannabis. O preparo do chimarrão não consiste em adicionar simplesmente a planta à erva-mate, mas sim em um processo técnico que busca trazer benefícios terapêuticos. “A gente utilizou uma mistura com partes da planta — folhas, talos, raízes e flores — todas secas e trituradas, resultando numa textura parecida com a erva-mate”, detalhou Thomazi. Ele enfatizou que a bebida não tem efeito psicoativo, mas visa relaxamento e bem-estar.

A Associação Flor da Cura, fundada em 2023, nasceu da experiência familiar de Thomazi, que viu sua avó se beneficiar do uso medicinal da cannabis. Hoje, a entidade atende cerca de 150 pacientes com diversos problemas de saúde, incluindo Parkinson, autismo, depressão, insônia e dor crônica. Segundo Thomazi, a melhora na saúde de sua avó inspirou a criação dessa nova abordagem terapêutica.

O debate sobre a regulamentação do uso medicinal da cannabis vem ganhando força. Suplicy é um defensor da necessidade de avançar nesse sentido, embora tenha alertado para o risco de interesses escusos que podem surgir quando a legalização se concretizar. “É preciso ter mente aberta, serenidade e buscar informações de qualidade”, aconselhou ele. Thomazi, por sua vez, destacou que, enquanto o debate sobre o uso medicinal avança em certas esferas, a realidade do tráfico de drogas continua a afetar desproporcionalmente as comunidades negras e periféricas. “Quem ocupa esse espaço hoje, precisa reconhecer isso e agir com responsabilidade social”, concluiu.

Nos últimos anos, o uso medicinal da cannabis tem recebido uma atenção crescente, especialmente após a aprovação de regulamentações pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que permitem o cultivo da planta para fins terapêuticos por empresas e entidades. Entretanto, essa medida não se aplica ao cultivo pela população em geral e não aborda o uso recreativo. Conforme o debate avança, é essencial lembrar da história e das consequências sociais envolvidas na discussão sobre a cannabis no Brasil.

Tags: Cannabis Medicinal, Eduardo Suplicy, Chimarrão, Saúde e Bem-Estar, Regulamentação da Maconha Fonte: g1.globo.com