Brasil alcança recorde em acidentes e mortes no trabalho em 2025
Em um cenário alarmante, o Brasil registrou, em 2025, o maior número de acidentes de trabalho da sua história, com 806 mil ocorrências e 3.644 mortes. Esses dados foram divulgados pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) e indicam um crescente problema de segurança ocupacional no país.
No total de dez anos, o Brasil contabiliza mais de 6,4 milhões de acidentes e cerca de 27 mil óbitos. Os números se agravam após a pandemia, mostrando que, embora o emprego formal tenha aumentado, as condições de segurança não sofreram melhorias proporcionais. Os setores de saúde e transporte rodoviário são os mais afetados. O transporte rodoviário, especialmente entre motoristas de caminhão, está entre as principais causas de mortes registradas no trabalho.
Acidentes por região e sua gravidade
Os dados revelam ainda uma desigualdade regional significativa. Os estados do Sul e Sudeste do Brasil concentram a maior parte dos acidentes e mortes. São Paulo, por exemplo, responde por 34,4% dos acidentes e 23,7% dos óbitos no país, totalizando 2.219.859 acidentes e 6.517 mortes ao longo da última década. Enquanto isso, estados como Tocantins, Mato Grosso e Maranhão apresentam altas taxas de letalidade, o que indica que os acidentes nessas regiões tendem a ser mais graves.
A situação torna-se ainda mais preocupante quando se observa o estado de Mato Grosso, que combina alta incidência de acidentes e elevada mortalidade. O estado possui uma taxa de letalidade de 9,24, o que significa que cerca de 1 em cada 100 acidentes resulta em morte. Essa gravidade está ligada ao perfil econômico, com um forte enfoque em atividades de agronegócio e transporte de cargas.
Setores mais afetados e a necessidade de mudanças
A análise por atividade econômica mostra que o setor de saúde, principalmente no atendimento hospitalar, é o que mais sofre acidentes, totalizando mais de 500 mil em dez anos. Com a falta de proteção adequada, os profissionais têm enfrentado sobrecarga, principalmente após a pandemia. Por outro lado, o transporte rodoviário de carga acumula um alto número de mortes, com 2.601 ocorrências entre 2016 e 2025, destacando-se como o segmento mais letal do Brasil.
Os motoristas de caminhão são os que mais morrem, com 4.249 óbitos registrados — média de mais de uma morte por dia. Além disso, o setor da construção civil é notório pelas taxas elevadas de acidentes e mortes, especialmente em atividades de montagem industrial, que apresentam uma taxa alarmante de 80 mil acidentes a cada 100 mil trabalhadores.
Mudanças no perfil dos acidentes
O estudo também observa transformações no perfil dos acidentes de trabalho ao longo dos anos. Os acidentes típicos, que ocorrem durante a execução das atividades, continuam a dominar, mas os acidentes de trajeto têm se tornado cada vez mais relevantes. A participação das mulheres nos acidentes aumentou significativamente, passando a representar 34,2% dos casos registrados, com um crescimento de 48% na última década.
As conclusões indicam que, apesar da recuperação econômica e da formalização de empregos, o investimento em segurança continua a ser um desafio. O auditor-fiscal do trabalho e diretor de Segurança e Saúde no Trabalho da SIT, Alexandre Scarpelli, aponta a necessidade de fortalecer a cultura de prevenção nas empresas. “Ainda temos um longo caminho a percorrer para garantir ambientes de trabalho seguros. É essencial aprimorar as condições laborais e promover uma colaboração efetiva entre governo, empregadores e trabalhadores”, afirmou.
A situação atual evidencia que, sem um comprometimento mais intensivo com a segurança no trabalho, o preço a ser pago será elevado, com milhares de vidas interrompidas e milhões de trabalhadores afetados anualmente.